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quarta-feira, 25 de junho de 2014

PARÓQUIA: Comunidade de Comunidades

As Assembleias Gerais da CNBB têm entre seus objetivos traçar as Diretrizes da Ação
Evangelizadora, que ajudam na caminhada de Igreja no Brasil numa extensão geográfica tão grande, onde consegue ser presença.
O Papa Francisco diz que ‘‘as Diretrizes são a manifestação da Colegialidade da CNBB.’’ É o plano de ação que une toda a Igreja numa só família, num só corpo, de norte a sul do país. Essas Diretrizes Gerais são feitas a cada quatro anos e um dos critérios para a escolha do tema central da Assembleia é a revisão e o aprofundamento deste Plano de Ação da Igreja. Atualmente nós temos nas Diretrizes cinco grandes urgências: a Missão Permanente; a Iniciação e a Formação dos Cristãos; a Animação Bíblica da Ação Pastoral; a Igreja: Comunidade de comunidades; e, por fim, o Serviço à vida Plena para todos. O tema ‘‘Comunidades’’ é, portanto, uma das cinco urgências e está associado à Renovação Paroquial, uma das opções das Diretrizes da CNBB; antes da própria 5ª Conferência do CELAM em Aparecida no ano de 2007 e que é a grande inspiração evangelização de toda a América Latina.
Sem comunidade não se pode viver a experiência cristã, é nela que se formam os missionários, que se partilha o Pão da Eucaristia e, sobretudo, o Pão da caridade.
A Paróquia como ponto de encontro os cristãos existe desde os primeiros séculos da Igreja. No inicio, os cristãos se reuniam nas casas, mas logo que cresceu o número de fiéis, foi se tornando necessário um local maior e mais adequado.
A Igreja deve sair ao encontro das pessoas onde elas se encontram, a Paróquia é necessária, sim, mas deve ser renovada, cada vez mais, uma comunidade formada por pequenas comunidades em vista da transmissão da fé, e abraçar com coragem a renovação paroquial, tornando-a ‘‘Comunidade de Comunidades’’.

Dom Francisco Carlos da Silva
Bispo Diocesano

SINAIS DOS TEMPOS E CONVERSÃO PASTORAL - parte 2

Alguns até rejeitam os valores herdados da fé em nome da criação de novos e, muitas vezes, arbitrários direitos individuais. Por isso, cresce a indiferença pelo outro e aumenta a dificuldade de planejar o futuro. O que conta, para muitas pessoas, é viver o aqui e o agora. As novas gerações são as mais afetadas por essa cultura imediatista. Importa mais a sensação do momento. Tal comportamento gera novas maneiras de pensar e de se relacionar, especialmente entre os jovens que são os principais produtores e atores da nova cultura.
Na afirmação das liberdades individuais o mercado ganha força e a pessoa existe enquanto consome. dos luxuosos shoppings centers aos camelódromos das periferias, enfileiram multidões que buscam comprar a satisfação ou o sentido de sua individualidade. Será preciso enfrentar o sistema que tem uma concepção economista de ser humano e considera o lucro e as leis do mercado medidas absolutas em detrimento da dignidade da pessoa humana.
Paradoxalmente, os índices de pobreza continuam a desafiar qualquer consciência tranquila. A sociedade vive marcada pela violência, sintoma da exclusão social. Paralelamente, a drogadição desafia a vida das famílias. A sociedade do descartável valoriza apenas o que é útil. Nesse contexto, o idoso, o doente e aquele que não pode produzir ou consumir não são considerados. Vive-se numa sociedade de contrastes que desafia o ser cristão.
É importante perceber a realidade das grandes cidades que crescem acelerada e desordenadamente. As Paróquias urbanas não conseguem atender a população que nelas existe. Os presbíteros, diáconos e leigos esgotam suas energias com uma pastoral de manutenção, sem condições de criar novas iniciativas de evangelização e missão.
Nas grandes cidades, mesmo nas comunidades paroquiais existe o anonimato e solidão. Muitos procuram a Igreja apenas para atender às suas demandas religiosas. Não buscam viver em comunhão nem querem participar de um grupo de cristãos. Por outro lado, há dificuldades em acolher quem chega, especialmente migrantes e novos vizinhos que facilmente caem numa massa anônima e raras vezes são recebidos de forma personalizada nas grandes Paróquias.
Os meios de comunicação são aperfeiçoados e atingem a população em geral, influindo preponderantemente na opinião pública. Nas últimas décadas, eles mudaram hábitos e atitudes, criaram necessidades a partir de desejos e influenciaram no consumo e na religião. A internet é um território sem fronteiras que entra diretamente em todos os espaços. Essa realidade produz um mundo cada vez mais informado, conectando a todos e atingindo a privacidade de pessoas e instituições. Novos conceitos de espaço são gerados por esses meios que encurtam distâncias e alargam horizontes. A força da tecnologia dos meios de comunicação determina tanto a vida na grande cidade quanto na pequena vila do interior.

CORPUS CHRISTI - Forania São José

terça-feira, 24 de junho de 2014

PENTECOSTES - Forania São José

SINAIS DOS TEMPOS E CONVERSÃO PASTORAL

O Concílio Vaticano II propõe o diálogo na relação da Igreja com a sociedade. Assim, a Igreja é chamada a reconhecer os ‘‘sinais dos tempos’’, pois a história é rica em sinais da presença de Deus. O Concílio destacou a pastoral e a ação evangelizadora da Igreja para que seja sinal de Cristo no mundo. Tal posicionamento exige que a Igreja se revitalize continuamente que se revela nos sinais dos tempos. Para isso é preciso considerar que as mudanças na Igreja, especialmente na sua forma de evangelizar, constituem a sua identidade de acolher o que o Espírito Santo dá a conhecer em diferentes momentos históricos; daí se compreende a aforismo: ecclesia semper reformanda [a Igreja deve sempre se reformar].
Enfrenta-se a realidade para encontrar as demandas novas que se apresentam para a evangelização. Trata-se de discernir ‘‘os acontecimentos, nas exigências e nas aspirações de nossos tempos [...], quais sejam os sinais verdadeiros da presença ou dos desígnios de Deus.’’ Esse ‘‘ver’’ está condicionado pelo olhar. Seguindo o Documentos de Aparecida, pretende-se ir ao encontro da realidade com o olhar do discípulo. Não é um olhar puramente sociológico. Trata-se na verdade de um autêntico discernimento evangélico. ‘‘É o olhar do discípulo missionário que se nutre da luz e da força do Espírito Santo.’’

Novos contextos: desafios e oportunidades

O progresso cientifico permitiu o acesso a novas tecnologias, e o avanço da informática trouxe comodidades e experiências inimagináveis num passado recente. A emergência da subjetividade, a preocupação com a ecologia, o crescimento do voluntariado, o empenho pela tolerância e o respeito pelo diferente despertam atualmente uma nova consciência de pertença ao planeta e de integração entre tudo e todos. Igualmente, multiplicam-se as mobilizações contra ditaduras, corrupção, injustiças e violação dos direitos humanos.
Com a valorização do sujeito na modernidade, cresce a responsabilidade de cada pessoa de ‘‘construir sua personalidade e plasmar sua identidade social’’. Essa postura, por outro lado, pode fortalecer a subjetividade individual, enfraquecer os vínculos comunitários e transformar a noção de tempo e espaço. A pessoa vive numa sociedade consumista que afeta sua identidade pessoal e sua liberdade. Acentua-se o egoísmo que desenraiza o indivíduo da comunidade e da sociedade.
Vive-se o fascínio entre a emergência da subjetividade e a cultura individualista que propõe uma felicidade reduzida à satisfação do ego. Se, de um lado, verifica-se o valor da pessoa, por outro, percebe-se de alguns em pensar no outro, diante disso, constata-se a falta do reconhecimento da comunidade como geradora de sentido e parâmetro da organização da vida pessoal. Difunde-se a noção de que a pessoa livre e autônomo precisa se libertar da família, da religião e da sociedade. A independência da pessoa pode ser compreendida equivocadamente como a libertação dos vínculos e influências que os outros propor ao indivíduo.