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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Em Nota Oficial da 55ª Assembleia Geral dos Bispos, CNBB se posiciona sobre o grave momento nacional

O GRAVE MOMENTO NACIONAL
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).
O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)
O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.
É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.
Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).
O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.
Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.
No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei. Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.
Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (…). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).
O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.
A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemos e conclama os católicos e as pessoas de boa vontade a participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.
No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!
Aparecida – SP, 3 de maio de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

55ª AG - CNBB - Nossa Senhora Aparecida - 300 anos

terça-feira, 2 de maio de 2017

MAIO - Mês Dedicado a Maria Imaculada


Imagem dos 300 anos, replica oficial do Santuário Nacional, ficará exposta para a veneração no Santuário Diocesano de Nª Sª Aparecida de Ituiutaba.

Iniciamos o Mês de Maio, dedicado a Maria Mãe de Deus. Ela, a Mãe do Cristo, tem um lugar bem preciso no plano da salvação, porque, ao chegar à plenitude dos tempos, Deus enviou o seu filho, nascido de uma mulher para redimir a todos os homens. Maria designa o momento abençoado em que o verbo que estava junto de Deus, se fez carne e habitou entre nós (Jo. 1, 1.4).
Venerada como Mãe amantíssima ela é para a Igreja modelo na Fé, na esperança e na caridade. Aquela que desde a eternidade estava destinada a ser a sua Mãe já existia sobre a terra. A verdade sobre a maternidade divina de Maria foi confirmada como verdade de Fé da igreja. Maria é a Mãe de Deus. O Filho de Deus, ao nascer da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um nós, fez-se homem.
Maria portanto, é introduzida no mistério de Cristo definitivamente mediante aquele acontecimento que foi a Anunciação do Anjo: “salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo (Lc.1,28). Estava-se já no quadragésimo dia depois do nascimento de Jesus, quando Maria e José, segundo a prescrição da lei de Moisés, levaram o menino a Jerusalém, para oferecer ao Senhor (Lc. 2,22).
Maria conservou fielmente a união com seu Filho até a cruz, a união mediante a fé, a mesma Fé com a qual tinha acolhido a revelação do anjo no momento da anunciação.
Maria é aquela que está presente em Caná da Galiléia, nas Bodas.  Estavam junto a cruz de Jesus, e no nascimento na Igreja em Pentecostes. As imagens da virgem Maria têm um lugar de honra nas igrejas e nas casas sendo aquela que passa na frente abrindo os caminhos para a contemplação do rosto de Cristo. Nisso, a função maternal de Maria para com os homens de modo nenhum obscurece ou diminui essa única mediação de Cristo.
Nossa Diocese possui vários santuários Marianos. No dia 1º de Maio, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Ituiutaba-MG aconteceu a celebração de abertura do mês Mariano onde a Imagem dos 300 anos, replica oficial do Santuário Nacional ficará exposta para a veneração dos fiéis ao longo de todo o mês, onde acontecem as celebrações de acordo com os horários do Santuário e todos os domingos deste mês as 19h Santa Missa e consagração à Maria Senhora de Aparecida.
Que Maria possa ao longo de nossos dias ser o sinal visível da presença de Deus e a salvação a ser alcançada em Jesus Cristo, seu filho Amado.
Rogai por Nós Santa Mãe de Deus! Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém! 

Michel May dos Santos
Seminarista