segunda-feira, 12 de junho de 2017

Bispos e padres participam da Assembleia CONSER Leste 2

Dom Irineu Andreassa, OFM, Bispo Diocesano de Ituiutaba e demais  Arcebispos, Bispos e Padres estiveram reunidos nos dias 05 a 08 de junho, na Casa de Retiros Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro, em Caeté (MG), para a Assembleia do Conselho Episcopal do Regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) e  Encontro dos Coordenadores Diocesanos de Pastoral.
O encontro que reuniu 80 participantes teve como tema central a “Iniciação a vida Cristã e Comunidade”, com ênfase no RICA (Rito de Iniciação à Vida Cristã de Adultos), uma das urgências pastorais assumidas pelo Conselho Episcopal do Leste 2 para o quadriênio 2015-2019. A assessoria do tema central ficou a cargo do teólogo, padre Francisco Taborda, que apresentou pistas e etapas de preparação de um catecumenato.
Outra pauta presente no encontro foi a apresentação de dados, quantitativos e qualitativos, da pesquisa sobre o Catolicismo e a Modernização Brasileira e seus desafios institucionais. A pesquisa é resultado do trabalho da socióloga e professora associada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e colaboradora do CERIS, Silvia Fernandes, que demonstrou a evolução das denominações religiosas no Brasil e na América Latina nos últimos anos.
O segundo dia da Assembleia foi marcado pelas sessões reservadas dos (arce)bispos para encaminhamentos de assuntos pastorais e administrativos do Regional. Já os coordenadores de pastoral tiveram uma formação sobre a conscientização e organização da Pastoral do Dízimo conduzida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Edson José Oriolo dos Santos.
O encerramento da Assembleia do CONSER e Encontro dos Coordenadores de Pastoral aconteceu na manhã de quinta-feira, 08 de junho, com a celebração Eucarística na Ermida da Padroeira de Minas Gerais - Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG). A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Uberaba (MG) e presidente do Regional Leste 2, dom Paulo Mendes Peixoto; e concelebrada por dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, bispo diocesano de Vitória (ES) e vice-presidente, e dom José Carlos de Souza Campos, secretário e bispo diocesano de Divinópolis (MG).

terça-feira, 6 de junho de 2017

Assembleia CONSER Leste 2: 05 a 08 de junho

Arcebispos, bispos e padres das (arqui)dioceses de Minas Gerais e Espírito Santo se reúnem a partir da próxima segunda-feira, 05 de junho, no Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), para a Assembleia Anual do Conselho Episcopal de Pastoral (CONSER) Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) e Encontro dos Coordenadores Diocesanos de Pastoral.
A pauta do evento terá como tema central uma das urgências pastorais, assumidas pelo Regional, para o quadriênio 2015-2019, “Iniciação a vida Cristã e Comunidade, com ênfase no Rito de Iniciação à Vida Cristã de Adultos (RICA)”. A assessoria do tema central ficará a cargo do teólogo, padre Francisco Taborda.
Outro assunto de pauta é a Analise de Conjuntura, sob a assessoria da socióloga e professora associada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Silvia Fernandes, que abordará a pesquisa sobre o número de Católicos no Brasil e os dados Santa Sé.
O evento segue até quinta-feira, 8 de junho, na Casa de Retiro Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro (Rodovia MG 435 Km 6) em  Caeté/MG.
Confira a programação completa AQUI

segunda-feira, 5 de junho de 2017

HOMILIA DE DOM IRINEU ANDREASSA - Pentecostes - 2017

SOLENIDADE DE PENTECOSTES

“O AMOR DE DEUS FOI DERRAMADO EM NOSSOS CORAÇÕES PELO SEU ESPÍRITO QUE HABITA EM NÓS, ALELUIA!” (RM 5,5; 10,11)

MEUS QUERIDOS SACERDOTES, RELIGIOSOS (AS), VOCACIONADOS;
MEUS QUERIDOS FILHOS (AS) E IRMÃOS (ÃS) NA FÉ!


  • O DOMINGO DE PENTECOSTES (NO QUAL DESEMBOCA TODO O TEMPO PASCAL) RECORDA O ESPÍRITO SANTO, DOM DO PAI, AMOR DE DEUS DERRAMADO SOBRE NÓS, CONDIÇÃO DE NOSSA COMUNHÃO NO CRISTO RESSUSCITADO, FONTE DA TRANSFORMAÇÃO PASCAL DE TODA A REALIDADE.
  • ESTA FESTA ATIVA EM CADA UM DE NÓS A VOCAÇÃO E A CAPACIDADE PARA O ENCONTRO, PARA O AMOR, PARA A UNIÃO, PARA A DOAÇÃO, COMO PEDE A ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: “VINDE, ESPÍRITO SANTO, ENCHEI OS CORAÇÕES DOS VOSSOS FIÉIS E ACENDEI NELES O FOGO DO VOSSO AMOR”.
  • NO PENTECOSTES, O MISTÉRIO PASCAL É CELEBRADO COMO UM TODO (MORTE, RESSURREIÇÃO, ASCENSÃO, ENVIO DO ESPÍRITO).
  • NESTE DIA, O MISTÉRIO PASCAL ATINGE A SUA PLENITUDE NO DOM DO ESPÍRITO DERRAMADO EM NOSSOS CORAÇÕES.
  • IMBUÍDOS DESTE MESMO ESPÍRITO SOMOS CAPACITADOS PARA O ANÚNCIO DA BOA NOTÍCIA, SEM TEMER PERSEGUIÇÕES, NEM MORTE. DEVIDO À IMPORTÂNCIA DA SOLENIDADE DE PENTECOSTES, CELEBRAMOS SUA VIGÍLIA.
  • A PALAVRA DE DEUS DA VIGÍLIA DE PENTECOSTES É UMA MENSAGEM QUE NOS AJUDA A SUPERAR AS DIVISÕES E NOS CONVIDA A SACIAR COM A ÁGUA VIVA OFERECIDA POR JESUS.
  • AS TRÊS GRANDES E PERMANENTES TENTAÇÕES DA HUMANIDADE ACABAM EM DESASTRE: A PRETENSÃO DA SUBIDA ACABA EM QUEDA; A CONCENTRAÇÃO, EM DISPERSÃO; O NOME FAMOSO, EM INFÂMIA.
  • JESUS É A FONTE DE ÁGUA VIVA QUE SACIA A SEDE DA HUMANIDADE. TEMOS OS PRIMEIROS FRUTOS DO ESPÍRITO, QUE VEM EM SOCORRO DE NOSSA FRAQUEZA.
  • NA SOLENIDADE DE PENTECOSTES O ESPÍRITO DO SENHOR DESCEU SOBRE NÓS E NOS CONGREGOU NA MESMA FÉ E NUMA SÓ FAMÍLIA. O UNIVERSO TODO SE REJUBILA CONOSCO PELA PRESENÇA DO ESPÍRITO CRIADOR E UNIFICADOR.
  • O ESPÍRITO DE DEUS, RECEBIDO NO BATISMO, DESAFIA-NOS A FALAR A LINGUAGEM DO AMOR, COMPREENSÍVEL A TODOS, E ASSUMIR O COMPROMISSO PROPOSTO POR JESUS.
  • A COMUNIDADE SANTIFICADA PELO ESPÍRITO FALA DE MODO QUE TODOS ENTENDEM. A LINGUAGEM QUE TODOS ENTENDEM É A DO AMOR COM SABOR DIVINO. QUEM DESCOBRE A CAPACIDADE DO AMOR GRATUITO, NEM PRECISA DE PALAVRAS: BASTA AMAR E TODO O RESTO ACONTECE NATURALMENTE. ISTO É, FALAR A LINGUAGEM DO AMOR DIVINO SIGNIFICA ESFORÇAR-SE POR PROMOVER, QUER BEM, PERDOAR E SER SEMPRE QUERIDO E TERNO NAS RELAÇÕES HUMANAS.
  • A PRESENÇA DO ESPÍRITO, PROMETIDO POR JESUS, TORNA A COMUNIDADE ACOLHEDORA E RECONCILIADORA. UMA COMUNIDADE QUE NÃO DÁ ESPAÇO PARA A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO TORNA-SE ESTÉRIL, FECHADA E INCAPAZ DE ACOLHER, AMAR O DIFERENTE E MUITO MENOS PERDOAR. A COMUNIDADE QUE ACOLHE OS DONS DO ESPÍRITO DO SENHOR, NÃO É MERA INSTITUIÇÃO ENGESSADA EM NORMAS, REGIMENTOS, FUNÇÕES E CARGOS, MAS SE GASTA, CONSOME-SE POR AMAR AS PESSOAS COM O AMOR PROPOSTO PELO PRÓPRIO CRISTO SENHOR.
  • ONDE NÃO TEM PERDÃO, ONDE NÃO SE PROCURA ACOLHER O OUTRO, NÃO TEM PENTECOSTES, NÃO TEM O ESPÍRITO SANTO.
  • ONDE UMA COMUNIDADE, QUER E DESEJA UM ASSESSOR, UM PADRE DIRETOR ESPIRITUAL: TENHO DIFICULDADE DE ENCONTRAR ESSE PADRE DEVIDO A DIVISÃO DOS MEMBROS.
  • ONDE HÁ DIVISÃO, EXCLUÍMOS O ESPÍRITO DE DEUS.
  • OS DONS RECEBIDOS DO ESPÍRITO SÃO PARA A EDIFICAÇÃO DA COMUNIDADE. NÃO POUCAS VEZES TENTAMOS APROPRIAR-NOS DO ESPÍRITO SANTO OU CONSIDERAR-NOS PLENOS DE TODOS OS DONS. SABEMOS QUE O PRÓPRIO ESPÍRITO SANTO SOPRA ONDE QUER. NEM TODOS SOMOS PORTADORES DE TODOS OS DONS DO ESPÍRITO SANTO. CADA UM RECEBE OS DONS DE ACORDO COM AS SUAS QUALIDADES QUE COLOCADOS A SERVIÇO DA COMUNIDADE, É QUE A EDIFICAM E NÃO SACRIFICAM, COMO MUITAS VEZES ACONTECE. HÁ FREQUENTEMENTE PESSOAS NAS COMUNIDADES, QUE SE SENTEM INSUBSTITUÍVEIS, OU AINDA AQUELAS QUE PENSAM QUE SEM ELAS A COMUNIDADE NÃO SOBREVIVERÁ. UNS QUEREM FAZER TUDO, OUTROS SE COMPROMETEM MUITO POUCO, O QUE EMPOBRECE A IGREJA. CADA UM DEVE SABER O QUE FAZ MELHOR E ENRIQUECER A COMUNIDADE, CONSUMINDO-SE POR ELA, GRATUITAMENTE.
  • A AÇÃO DO ESPÍRITO MANIFESTA NO MUNDO A SALVAÇÃO DE DEUS, DESTINADA A TODO SER HUMANO. O ESPÍRITO NOS FORTALECE E ANIMA A FORMAR COMUNIDADES COMPROMETIDAS EM VIVER A UNIDADE NA DIVERSIDADE. ELE NOS CONDUZ A PERMANECER EM COMUNHÃO COM O SENHOR RESSUSCITADO, DEIXANDO-NOS ENVOLVER PELA PRESENÇA DE AMOR E VIDA NOVA.
  • O ESPÍRITO DO SENHOR NOS LIBERTA DE TODAS AS FORMAS DE OPRESSÕES, DE PECADO, PARA VIVERMOS FRATERNALMENTE COMO IRMÃOS E IRMÃS. COMO OS DISCÍPULOS, O ESPÍRITO NOS PLENIFICA DA PRESENÇA DE DEUS, CAPACITANDO-NOS PARA SERMOS ANUNCIADORES DA BOA NOVA DE JESUS. O ESPÍRITO AGE EM NÓS E EM TODA A CRIAÇÃO, QUE GEME EM DORES DE PARTO (RM 8,22), AGUARDANDO A MANIFESTAÇÃO PLENA DA SALVAÇÃO.
  • RENASCIDOS PELA ÁGUA E PELO ESPÍRITO, NOS TORNAMOS COMUNIDADE DE FÉ, PRESENÇA E PROLONGAMENTO DO CRISTO RESSUSCITADO NA REALIDADE BEM CONCRETA, SOBRETUDO LÁ ONDE SE FAZ MAIS NECESSÁRIO, POIS ASSIM COMO EM JESUS, O ESPÍRITO É DERRAMADO SOBRE NÓS E NOS ENVIA PARA ANUNCIAR A BOA-NOVA AOS POBRES; PARA PROCLAMAR A LIBERDADE AOS CATIVOS E AOS CEGOS A RECUPERAÇÃO DA VISTA; PARA LIBERTAR OS OPRIMIDOS E PARA PROCLAMAR UM ANO DA GRAÇA DO SENHOR.
  • QUE NESTA SOLENIDADE DE PENTECOSTES SE CUMPRA EM NÓS ESTA PALAVRA DAS ESCRITURAS E NOS FAÇA MISSIONÁRIOS SEM-FRONTEIRAS.
  • HOJE, CONCLUÍMOS A SEMANA DA UNIDADE. UM GESTO BONITO FOI A VISITA DO BISPO E DOS PADRES DE NOSSA CIDADE, QUINTA-FEIRA À TARDE NO HOSPITAL SÃO JOSÉ: CONSEQUÊNCIA DESSA VISITA, QUEREMOS PEDIR A CADA DIOCESANO: “VAMOS ABRAÇAR O HOSPITAL SÃO JOSÉ”.
  • NOSSA CIDADE NÃO TEM CONHECIMENTO DO QUE ESTÁ SENDO FEITO NO HOSPITAL PELOS VICENTINOS E PELOS VOLUNTÁRIOS. CENTAVOS LÁ SÃO VALORIZADOS, VINDO DE PESSOAS SIMPLES.
  • O QUE PEDIMOS: “AMÉM O HOSPITAL SÃO JOSÉ. É LÁ QUE OS POBRES SÃO ACOLHIDOS;
  • É LÁ QUE O CRISTO É ACOLHIDO: “ESTIVE ENFERMO, VOCÊ ME CUIDOU, ME VISITOU”;
  • NESTE ANO MARIANO, QUE A VIRGEM NEGRA DE APARECIDA RAINHA E MÃE DO BRASIL, NOSSA MÃE, NOS ABENÇOE E NOS PROTEJA. SEM O ESPÍRITO SANTO NÃO HÁ IGREJA, QUE O ESPÍRITO SANTO DE DEUS SEJA A FORÇA DE NOSSA DIOCESE.


Ituiutaba-MG,04 de junho de 2017
Solenidade de Pentecostes.


Dom Frei Irineu Andreassa - OFM
Bispo Diocesano de Ituiutaba-MG




PENTECOSTES - 2017 - Forania São José

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Cobrança indevida do Anuário Católico do Brasil – Nota de Esclarecimento

URGENTE. COMPARTILHE ESTA NOTA:
Está em curso um golpe contra as paróquias do Brasil utilizando o Anuário Católico. Ligam nas igrejas e casas paroquiais e dizem que a Promocat e o CERIS, responsáveis pelo Anuário Católico do Brasil 2009 a 2015, irão protestar o boleto de uma suposta compra do Anuário se o valor, entre 2 e 3 mil reais não for depositado imediatamente. Muitas paróquias estão caindo no golpe, infelizmente. A Promocat informa que registrou o Boletim de Ocorrência (BO), divulgou o golpe que ocorre de tempos em tempos já há mais de 8 anos, mas infelizmente há pouco o que fazer. Sugiro que, se possível,  divulgue esta nota nos seus contatos para que possam também ajudar na divulgação e combater esse golpe. Veja a nota abaixo:
A Promocat Marketing Integrado, empresa responsável pela Anuário Católico do Brasil edições 2011 e 2015, sob delegação do CERIS – Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais, órgão oficial da Igreja detentora do Anuário Católico do Brasil, vem esclarecer que não está executando nenhuma cobrança, simples ou em cartório, de nenhuma paróquia, diocese ou outra entidade da Igreja Católica no Brasil, referente ao Anuário Católico.
Assim como ocorreu este fato lamentável em outras ocasiões, empresas maliciosas e inexistentes que se passam por cartório de títulos e protestos ou até mesmo pela Promocat, estão ligando para as paróquias, dioceses e casas religiosas que constam no Anuário Católico dizendo que as mesmas estão em débito com o CERIS/PROMOCAT por terem adquirido o Anuário, e que tais débitos, se não pagos imediatamente, serão protestados. Anote isto com atenção: trata-se de empresas e pessoas más intencionadas com o único objetivo de ludibriar as pessoas aplicando golpes.
A Promocat esclarece ainda que não cobra, em hipótese alguma, pela publicação dos dados oficiais da Igreja publicados no Anuário. Tal publicação é gratuita e tem como base o Censo Oficial da Igreja no Brasil. Somente a venda do livro impresso – “Anuário Católico” – é cobrado de quem o adquire.
Nesse sentido, pede-se ATENÇÃO com essa tentativa de golpe relacionado ao Anuário Católico do Brasil. A Promocat aproveitas para pedir que divulguem essa nota para evitar que pessoas de bem, como você, não caiam no golpe que estão tentando aplicar.
Por fim, a Promocat Marketing informa que não é mais responsável pelo Censo Anual da Igreja e pela editoração e comercialização do Anuário Católico, tarefa repassada ao CERIS a partir deste ano de 2017.
Na unidade com a Igreja, agradecemos a atenção.
Promocat Marketing Integrado
www.promocat.com.br
cadastro@promocat.com.br
(12) 3311-0665 | 3105-0992


FONTE: Promocat

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Não há condições éticas de Temer seguir no cargo, diz secretário-geral da CNBB

Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, concedeu entrevista ao repórter João Fellet, corresponde da BBC Brasil, na tarde desta terça-feira, na sede nacional em Brasília. O repórter fez perguntas bastante amplas sobre a atual crise e o resultado da conversa está no site da BBC Brasil. Outros portais na internet já replicaram a conversa extraindo pontos diferentes daqueles da publicação original.
Leia a íntegra da matéria da BBC Brasil.
Não há condições éticas de Temer seguir no cargo, diz secretário-geral da CNBB
Secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner avalia não ver condições éticas para a permanência do presidente Michel Temer no cargo após a revelação de detalhes de seu encontro com o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, em março.
Mas ele também acredita que o país não superaria o atual “momento de tensão” com uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido à “resistência de uma parcela da sociedade à pessoa dele, dadas as contínuas notícias de que estaria implicado na Lava Jato”.
Para Steiner, Temer deveria ter denunciado Batista quando, no encontro que os dois tiveram no Palácio do Jaburu, o empresário lhe disse que havia corrompido autoridades para ser favorecido em investigações sobre sua empresa.
No dia 18, o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou a conversa, gravada por Joesley como parte de seu acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República. O presidente diz que o áudio foi editado e não tem validade jurídica.
“Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa”, afirma Steiner, enfatizando se tratar de opinião pessoal sua, e não uma posição oficial da CNBB.
Mas Steiner diz que a nota emitida pela presidência da CNBB no dia 19 de maio, um dia após a divulgação da conversa de Joesley com Temer, com o título “Pela Ética na Política” (dizendo estar acompanhando “com espanto e indignação as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo STF”), foi uma resposta da entidade “para dizer que, para alguém que exerce um cargo público, a idoneidade é tudo”.
Principal organização ligada à Igreja Católica no Brasil, a CNBB foi fundada em 1952 e desenvolveu uma forte atuação política. O grupo se tornou uma das principais vozes contrárias à ditadura militar (1964-1985), embora tivesse apoiado o golpe no início. Paralelamente, aproximou-se de movimentos de esquerda e teve influência na fundação do PT.
A CNBB tem mantido postura crítica ao governo Temer e se pronunciado contra algumas das principais propostas do presidente, como o projeto de reforma da Previdência.
Em entrevista à BBC Brasil na sede do órgão, na terça-feira, Steiner diz preferir a realização de eleições diretas numa eventual saída de Temer. Porém, se houver eleição indireta, afirma que a escolha deve ser debatida com a sociedade e não pode ser imposta pelo Congresso ou por grupos “ligados ao mercado”, sob o risco de haver uma convulsão social.
Bispo auxiliar de Brasília, Steiner é secretário-geral da CNBB desde 2011, posto que assumiu após atuar na prelazia de São Félix, em Mato Grosso. Catarinense de Forquilha e franciscano da Ordem dos Frades Menores, foi ordenado padre pelo ex-arcebispo de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), seu primo.
Confira os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – Como o senhor recebeu a notícia sobre a delação da JBS envolvendo o presidente Michel Temer?
Leonardo Ulrich Steiner – Quase atônito. Nós pensávamos que o pior já tivesse passado. Claro que, de alguém que está há tanto tempo na política e num partido que também vinha sendo acusado na Lava Jato, se podia esperar alguma coisa, mas não nesse montante. Por isso a presidência [da CNBB] tomou a iniciativa de emitir uma nota para dizer que, para alguém que exerce um cargo público, a idoneidade é tudo.
Não estávamos nos referindo apenas ao presidente da República, mas também ao deputado [Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)] e ao senador [Aécio Neves (PSDB-MG)] envolvidos, e também a outros que agora começam a aparecer com mais nitidez. Talvez seja a continuidade de uma crise que estamos vendo já há um bom tempo no Brasil, que não é uma crise econômica-política, mas uma crise ética.
A coisa pública é tratada como vantagem pessoal, ou como vantagem do partido, de determinados grupos. O que espanta é que falem de bilhões como se fossem mil reais.
BBC Brasil – Qual o melhor desfecho para o impasse em relação à permanência do presidente no cargo?
Steiner – A CNBB está discutindo essa questão internamente. Não temos ainda uma posição. Estamos nos encontrando com muitas pessoas e vendo qual seria a melhor saída. Várias pessoas têm sugerido eleições diretas para presidente e vice. A questão é: é necessário mexer na Constituição? Como a questão não foi regulamentada ainda, vê-se alguma possibilidade de haver eleições diretas para presidente e vice sem mexer na Constituição.
‘Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa’, afirma Steiner
A outra saída em que se fala mais é do próprio Congresso eleger um novo presidente e um novo vice, no caso de renúncia ou de cassação do atual presidente. Mas penso que é sempre importante passar pelo voto, é sempre importante ouvir a sociedade.
BBC Brasil – O senhor não vislumbra a permanência de Temer no cargo?
Steiner – Por aquilo que ele mesmo tem falado nas entrevistas, não vejo condições éticas de ele continuar. Não se trata apenas do áudio, trata-se de uma questão ética. Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa, não denuncie. Isso é gravíssimo.
BBC Brasil – Temer diz que não acreditava que o empresário Joesley Batista estivesse falando a verdade, que as afirmações eram uma “fanfarronice” dele.
Steiner – Pode ser que sejam, mas mesmo assim ele tem de ser investigado. Não se pode ficar quieto. A ética está acima de qualquer outra coisa para o exercício do próprio mandato. Estou falando isso como uma opinião pessoal – a CNBB não discutiu internamente essas questões. Mas o próprio presidente, ao se defender, está dizendo que a situação ficou extremamente frágil para continuar a exercer o seu mandato.
BBC Brasil – É desejável que Temer renuncie?
Steiner – Não tenho como dizer, porque isso é algo que depende da pessoa.
BBC Brasil – Há clima para o avanço das reformas que o governo vinha defendendo?
Steiner – Penso que não. Como podem pessoas que estão tão envolvidas na Lava Jato decidir os destinos da população brasileira? Depois, há a necessidade de maior diálogo com a sociedade em relação, por exemplo, à [reforma da] legislação trabalhista. Sobre a terceirização, não houve diálogo. Sobre a reforma da Previdência, até agora não se mostraram os dados reais. Fala-se em deficit, mas como funciona a Previdência brasileira? É preciso debater muito mais.
‘Como podem pessoas que estão tão envolvidas na Lava Jato decidir os destinos da população brasileira?’, disse Steiner sobre a votação das reformas no Congresso em meio à crise política
Em todas essas questões, sempre se fala num ponto: que é preciso sinalizar ao mercado, que é preciso colocar a economia em ordem. Não se fala em pessoas, não se fala em Brasil. Isso é grave. É uma mentalidade de mercado.
É preciso que o Congresso, diante de uma crise dessas, comece a rever as próprias ações e atitudes para o bem do povo brasileiro, e não para o bem de um determinado grupo. Veja o que está sendo feito em relação à [diminuição das áreas protegidas na] Amazônia. Não é uma questão apenas sobre a preservação da natureza, mas uma questão ética em relação à casa comum, para usar uma expressão do Santo Padre.
BBC Brasil – Uma das principais saídas discutidas seria uma eleição indireta em que o ex-presidente FHC, o ministro Henrique Meirelles ou ex-ministro Nelson Jobim assumiriam a Presidência até próxima eleição. Como enxerga essas hipóteses?
Steiner – Não citaria nomes, mas, se houver uma eleição indireta, é preciso um debate para chegar num consenso de um nome que não esteja ligado a falcatruas, que não esteja ligado a essa questão toda da Lava Jato, que tenha dignidade do cargo e também consiga dialogar e levar o país adiante.
Um partido não vai poder impor um nome, o Congresso Nacional não vai poder impor um nome à sociedade, um pequeno grupo que esteja interessado no mercado não pode impor ao Brasil um presidente. Senão corremos o risco de ter uma convulsão social.
BBC Brasil – Na oposição ao governo, há uma aglutinação em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a expectativa de que ele volte à Presidência numa eventual eleição direta. Como o senhor vê essa movimentação?
Steiner – Quanto ao Lula ser candidato, ele tem esse direito, assim como tem o Fernando Henrique (Cardoso), o (Geraldo) Alckmin, o (Jair) Bolsonaro e outros que estão se propondo a ser candidatos. A dificuldade pessoal que eu vejo é a resistência de uma parcela da sociedade à pessoa dele, dadas as contínuas notícias de que estaria implicado na Lava Jato. E nós não superaríamos esse momento de tanta tensão no Brasil.
Existe uma tensão muito grande, e essa tensão talvez poderia até crescer [se Lula for eleito]. Precisaria haver gestos muito significativos dele para ajudar numa reconciliação da sociedade brasileira.
BBC Brasil – Do ponto de vista ético, Lula teria condições de assumir esse papel?
Steiner – Ele precisaria primeiro mostrar para a Justiça a inocência.
BBC Brasil – Como o senhor avalia a Operação Lava Jato?
Steiner – Ela tem sido muito importante para o Brasil. Ela tem mostrado onde estamos, esse envolvimento das empresas na política, esse beneficiamento mútuo, um Congresso eleito pelo poder das empresas. Creio que a sociedade brasileira está tomando consciência de que isso não pode continuar assim.
‘Lava Jato tem sido importante para o Brasil, mas tem algumas incoerências’, disse o bispo. Mas também a Lava Jato veio demonstrar algumas incoerências. Por que esse alarde no momento de prender pessoas? Quando vão prender, os jornalistas já estão lá. O Ministério Público não precisa disso pra exercer seu trabalho. E a Lava Jato não tomou cuidado em relação às nossas empresas. As nossas empresas envolvidas estão numa situação muito difícil, ao passo que as pessoas envolvidas estão livres e soltas. Então existem algumas dificuldades que precisariam ser discutidas para que a Lava Jato realmente ajudasse, como alguns querem, numa expressão que não é muito feliz, a passar o Brasil a limpo.
BBC Brasil – Como o senhor vê o crescimento de figuras que tentam se projetar como alheias à política tradicional, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?
Steiner – Com uma dificuldade muito grande. Você certamente acompanhou as eleições nos EUA e deve estar acompanhando o momento crítico que vive o país. Normalmente os salvadores da pátria não dão certo. Diante do descrédito da política e dos políticos, existe essa tentação de buscar alguém de fora da política para salvar a pátria. Não é o melhor caminho.
Há cada vez mais a necessidade de esclarecer às pessoas a importância da política, mas também a importância de termos no meio político pessoas que tenham condições de governar o país. Normalmente os salvadores da pátria têm um espiritozinho um pouco ditatorial.
BBC Brasil – Tem se falado no prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e até no apresentador Luciano Huck como figuras que poderiam tentar voos mais altos na política, promover alguma renovação. Que acha dos dois?
Steiner – Não os conheço. Não sei se seriam a solução. Deseja-se que a velha política desapareça, isso é verdade, a gente sente. Mas creio que encontraremos políticos, que possam exercer seu mandato com dignidade e integridade.
BBC Brasil – Recentemente o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à CNBB, foi alvo da CPI da Funai, que investigou processos de demarcações de terras indígenas. Deputados ruralistas acusaram o Cimi de estimular “demarcações fraudulentas”. Como o senhor encarou o processo?
Steiner – A instalação dessa CPI tinha apenas o interesse de encostar na parede diversas entidades que assumiram a causa indígena. Não havia nenhum interesse nessa CPI de realmente defender os povos indígenas. Por que, ao apresentar o relatório, eles não incriminaram nenhum grande fazendeiro?
O Cimi tem feito um trabalho extraordinário. Vivi numa região do Mato Grosso onde tínhamos vários povos indígenas e um trabalho muito importante na área educacional, de saúde, no resgate das tradições, dos rituais. Quando um povo se sente inteiro na sua identidade, ele começa a exigir mais. Ele também cria autoconsciência de que precisa de espaço para viver. A terra para eles não é uma propriedade, a terra é uma casa. E isso incomoda muita gente.
Acho que no futuro [os deputados da CPI] vão se envergonhar do que fizeram, porque não se faz com irmãos o que eles estão fazendo com os índios. E eles não estão por dentro da questão indígena, estão somente interessados na questão das terras. É preciso dizer isso.
FONTE CNBB: CLIQUE AQUI
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