sexta-feira, 9 de julho de 2021

NOTA DA CNBB: “A TRÁGICA PERDA DE MAIS DE MEIO MILHÃO DE VIDAS ESTÁ AGRAVADA PELAS DENÚNCIAS DE PREVARICAÇÃO E CORRUPÇÃO NO ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA DA COVID-19”

 


Nota da CNBB diante do atual momento brasileiro

Brasília-DF, 9 de julho de 2021

 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB levanta sua voz neste momento, mais uma vez, para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história. A gravidade deste momento exige de todos coragem, sensatez e pronta correção de rumos.

A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da COVID-19. “Ao abdicarem da ética e da busca do bem comum, muitos agentes públicos e privados tornaram-se protagonistas de um cenário desolador, no qual a corrupção ganha destaque.” (CNBB, Mensagem da 56ª. Assembleia Geral ao Povo Brasileiro, 19 de abril de 2018).

Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB



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sexta-feira, 16 de abril de 2021

CNBB DIVULGA MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO APROVADA PELOS BISPOS REUNIDOS EM ASSEMBLEIA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga nesta sexta-feira, 16 de abril, a mensagem do episcopado brasileiro que reunido, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da CNBB, se dirigiu ao povo neste grave momento.

No texto, os bispos afirmam que diante da atual situação pela qual passa o Brasil, sobretudo em tempos de pandemia, não podem se calar quando a vida é “ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”. Os bispos asseguram que são pastores e que têm a missão de cuidar. “Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade”, dizem.

Na mensagem, os bispos reiteram que no atual momento precisam continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecem agradecidos que as famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. “Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento”.

Os bispos afirmam que os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado” e que o momento exige competência e lucidez. “São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito”, afirmam.

Fazem, ainda, um forte apelo à unidade das Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil: “Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”.


Confira o texto na íntegra:


MENSAGEM DA 58ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB
AO POVO BRASILEIRO
Esperamos novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. (2Pd 3,13)
Movidos pela esperança que brota do Evangelho, nós, Bispos do Brasil, reunidos, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 12 a 16 de abril de 2021, neste grave momento, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro.
Expressamos a nossa oração e a nossa solidariedade aos enfermos, às famílias que perderam seus entes queridos e a todos os que mais sofrem as consequências da Covid-19. Na certeza da Ressurreição, trazemos em nossas preces, particularmente, os falecidos. Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa profunda gratidão aos profissionais de saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia.
O Brasil experimenta o aprofundamento de uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia, que nos desafia, expondo a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. Embora todos sofram com a pandemia, suas consequências são mais devastadoras na vida dos pobres e fragilizados.
Essa realidade de sofrimento deve encontrar eco no coração dos discípulos de Cristo[1]. Tudo o que promove ou ameaça a vida diz respeito à nossa missão de cristãos. Sempre que assumimos posicionamentos em questões sociais, econômicas e políticas, nós o fazemos por exigência do Evangelho. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada[2].
Louvamos o testemunho de nossas comunidades na incansável e anônima busca por amenizar as consequências da pandemia. Muitos irmãos e irmãs, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, movidos pelo autêntico espírito cristão, expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Com o Papa Francisco, afirmamos que “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”[3]. As iniciativas comunitárias de partilha e solidariedade devem ser sempre mais incentivadas. É Tempo de Cuidar!
Somos pastores e nossa missão é cuidar. Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade. Por isso, nesse momento, precisamos continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecemos agradecidos que nossas famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento.
Na sociedade civil, os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado”[4]. Isso exige competência e lucidez. São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito. É necessária atenção à ciência, incentivar o uso de máscara, o distanciamento social e garantir a vacinação para todos, o mais breve possível. O auxílio emergencial, digno e pelo tempo que for necessário, é imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia[5], com especial atenção aos pobres e desempregados.
É preciso assegurar maiores investimentos em saúde pública e a devida assistência aos enfermos, preservando e fortalecendo o Sistema Único de Saúde – SUS. São inadmissíveis as tentativas sistemáticas de desmonte da estrutura de proteção social no país. Rejeitamos energicamente qualquer iniciativa que intente desobrigar os governantes da aplicação do mínimo constitucional do orçamento na saúde e na educação.
A educação, fragilizada há anos pela ausência de um eficiente projeto educativo nacional, sofre ainda mais no contexto da pandemia, com sérias consequências para o futuro do país. Além de eficazes políticas públicas de Estado, é fundamental o engajamento no Pacto Educativo Global, proposto pelo Papa Francisco[6].
Preocupa-nos também o grave problema das múltiplas formas de violência disseminada na sociedade, favorecida pelo fácil acesso às armas. A desinformação e o discurso de ódio, principalmente nas redes sociais, geram uma agressividade sem limites. Constatamos, com pesar, o uso da religião como instrumento de disputa política, justificando a violência e gerando confusão entres os fiéis e na sociedade.
Merece atenção constante o cuidado com a casa comum, submetida à lógica voraz da “exploração e degradação”[7]. É urgente compreender que um bioma preservado cumpre sua função produtiva de manutenção e geração da vida no planeta, respeitando-se o justo equilíbrio entre produção e preservação. A desertificação da terra nasce da desertificação do coração humano. Acreditamos que “a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, orientá-la e colocá-la ao serviço de outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”[8].
É cada vez mais necessário superar a desigualdade social no país. Para tanto, devemos promover a melhor política[9], que não se submete aos interesses econômicos, e seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, que implica não só a aproximação entre grupos sociais distantes, mas também a busca de um renovado encontro com os setores mais pobres e vulneráveis[10].
Fazemos um forte apelo à unidade da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”[11]
Com a fé em Cristo Ressuscitado, fonte de nossa esperança, invocamos a benção de Deus sobre o povo brasileiro, pela intercessão de São José e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Brasília, 16 de abril de 2021.
                                
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
 - Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB
Dom Jaime Spengler, OFM
  - Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente
Dom Mário Antônio da Silva
  - Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente
Dom Joel Portella Amado
  - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

 

[1] cf.Gaudium et Spes, 1.
[2] cf. CNBB, Mensagem ao Povo de Deus, 2018.
[3] Papa Francisco, Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres, 2020.
[4] Constituição Federal, art. 196.
[5] cf. CNBB, OAB, C.Arn´s, ABI, ABC e SBPC, O povo não pode pagar com a própria vida,10 de março de 2021.
[6] cf. Papa Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo Global, 12 de setembro 2019.
[7] Papa Francisco, Laudato Si´, 145.
[8] Papa Francisco, Laudato Si´, 112.
[9] Papa Francisco, Fratelli Tutti, Cap. V.
[10] cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 233.
[11] Papa Francisco, Mensagem 58ª. AG CNBB.


CNBB


quarta-feira, 14 de abril de 2021

CRIAÇÃO DO REGIONAL LESTE 3 É APROVADA PELA 58ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB

O episcopado reunido na 58ª Assembleia Geral da CNBB retificou, em 14 de abril, a criação do regional Leste 3, composto pelas Igrejas Particulares do Estado do Espírito Santo: a arquidiocese de Vitória e as dioceses de Cachoeiro do Itapemirim, Colatina e São Mateus.

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, apresentou o resultado da consulta prévia na qual 269 presentes no momento votaram e, destes, 251 bispos aprovaram a criação do 19º Regional da CNBB, 6 foram contrários e houve 12 abstenções.

Uma vez que o número atende a regra do Estatuto da CNBB que prevê, nesses casos, aprovação por maioria absoluta dos presentes, dom Joel conduziu a ratificação, que aconteceu por unanimidade, pelo método de aclamação.

A proposta para criação do regional Leste 3 teve início em 2019 e foi pauta da reunião do Conselho Pastoral do Regional Leste 2 e submetida e aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB em 2020.

A criação do regional Leste 3 tem por objetivos a colegialidade da ação comum, o estudo e aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil; favorecer a construção de uma pastoral orgânica, a partir das características das Comunidades Eclesiais de Base, com os organismos de comunhão, marca evangelizadora da Igreja capixaba; coordenar as atividades em sintonia com a CNBB e a Santa Sé; e animar a dimensão social da evangelização a partir da realidade capixaba.

No projeto, os bispos afirmam que estão conscientes de que o regional Leste 3 será o menor da CNBB, mas reafirmam a certeza de que a Igreja no Estado do Espírito Santo tem um modo peculiar, por isso sentiram a necessidade de tratar as questões regionais que impactam diretamente a ação evangelizadora nesse território.

Entre as oportunidades e forças vislumbradas com a criação do novo regional, o projeto aponta ainda o favorecimento para a criação de novas dioceses, a otimização das formações com o encurtamento de distâncias, melhor organização entre as coordenações de pastorais e movimento, a redução de custos etc.

Depois da aprovação obtida na 58ª Assembleia Geral, o projeto tem como próximos passos um momento de Ação de Graças em conjunto com o regional Leste 2 e a criação efetiva do regional Leste 3, anteriormente previstos para 2020 e que devem acontecer em junho e dezembro de 2021, respectivamente.

CNBB



terça-feira, 13 de abril de 2021

EM CARTA A SER ENVIADA AO PAPA FRANCISCO, APROVADA PELA 58ª AG CNBB, BISPOS RENOVAM A FIDELIDADE E A COMUNHÃO AO SUCESSOR DE PEDRO

 

Os bispos do Brasil reunidos em sua 58ª Assembleia Geral aprovaram, na sessão de manhã, nesta terça-feira, 13 de abril, a mensagem destinada ao Papa Francisco. No texto, o episcopado brasileiro renova o seu apreço, carinho e fidelidade ao Santo Padre.

Os bispos também buscam, no documento, de modo geral, deixar o Santo Padre informado sobre as pautas em discussão na 58ª AG CNBB e dos assuntos importantes para o clero e o povo de Deus na Igreja no Brasil, além de expressar sua comunhão com a Igreja do mundo todo.

Partindo do fato de que, dadas as circunstâncias sanitárias atuais, a Assembleia acontece de forma virtual e requer a colaboração de todos, os bispos do Brasil reconhecem igualmente o esforço de Francisco para a manutenção da unidade eclesial, sobretudo mediante a proposição do diálogo constante e fraterno, seja no próprio meio católico, seja com os irmãos de outras denominações religiosas e culturas.

O legado eclesial e social das iniciativas do Pontífice também foi lembrado: a encíclica Fratelli tutti, o ano dedicado a São José e às famílias, a retomada dos ensinamentos da exortação apostólica Amoris laetitia, bem como o Pacto Global pela Educação e a Economia de Francisco.

Os bispos também deram destaques às condições impostas pela pandemia da Covid-19 ao Brasil, que ao mesmo tempo demonstram não somente as fragilidades que o país possui para o seu devido enfrentamento, como também as iniciativas despertadas, no âmbito da Igreja no Brasil, para o socorro e autêntica demonstração de caridade evangélica para com os que sofrem seus efeitos. No documento, os bispos do Brasil agradecem a solidariedade do Papa Francisco para com o povo brasileiro.

A mensagem recorda ainda que o eixo condutor dos trabalhos da Assembleia é a reflexão sobre a Palavra de Deus, em consonância com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023). Lembram também a consonância com o Santo Padre no sentido de buscar a purificação da Igreja por meio da proteção das crianças e adolescentes em relação aos casos de abusos por parte do clero, e enaltecem a iniciativa do Sínodo para a Amazônia, bem como o documento dele originado, “Querida Amazônia”, que se traduz numa nova sensibilidade para lidar com os problemas daquela região.

Por fim, acompanham e rezam para que a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe seja um momento de retomar luzes, perspectivas e esperanças, tantos anos depois da Conferência de Aparecida, da qual Francisco foi um participante decisivo. Veja, abaixo, a íntegra da mensagem aprovada pela plenária da 58ª Assembleia Geral da CNBB:

CARTA AO PAPA DA 58ª AG CNBB

Amado Papa Francisco,

Nós, os Bispos do Brasil, reunidos neste ano, de 12 a 16 de abril, por plataforma virtual, a partir de nossas Igrejas Particulares, vivenciamos nossa 58ª Assembleia Geral Ordinária. Neste tempo difícil e desafiador, quisemos viver, neste formato possível, nosso encontro anual, que não nos foi possível realizar no ano passado, devido à insegurança e aos riscos causados pelo início da pandemia da COVID-19.

Expressamos e renovamos nossa fidelidade e nossa comunhão com Vossa Santidade, Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. Reconhecemos seus inúmeros esforços para construir a unidade na Igreja e com os demais cristãos e favorecer o diálogo com outras religiões não cristãs e com a pluralidade das culturas. Pudemos, de modo exemplar, perceber isto na sua recente viagem ao Iraque, pelos caminhos da fé de Abraão, e nos fecundos diálogos empreendidos ali pela paz e pela concórdia entre os povos, buscando levar também bálsamo espiritual às muitas feridas causadas pelos históricos conflitos naquela região.

Agradecemos pelos frutos e boas repercussões eclesiais e sociais entre nós gerados pela Encíclica Fratelli tutti e pelo ano dedicado ao Patriarca São José e às famílias. Com o auxílio deste “homem justo”, iluminados e impulsionados pelas indicações pastorais da Exortação Amoris Laetitia, haveremos de relançar o olhar pastoral sobre a realidade das famílias. O ano da “Família Amoris Laetitia”, iniciado em 19 de março e a ser concluído com o X Encontro Mundial de Famílias, em junho de 2022, certamente será um norte seguro para nossa ação evangelizadora das famílias. Sem descuidar igualmente dos esforços da nossa comunidade cristã na construção da grande família humana, chamada a construir-se como casa de irmãos e irmãs, no respeito, na amizade e no diálogo amoroso.

Também não podemos deixar de externar nossos sentimentos de gratidão pela proximidade paterna e misericordiosa de Vossa Santidade, expressa nas muitas formas de concreta solidariedade manifestadas ao povo brasileiro, neste tempo em que a pandemia fez aflorar misérias, sofrimentos e precariedades em muitas regiões e dioceses brasileiras. Os apelos mundiais de Vossa Santidade em relação ao Pacto Global pela Educação e Economia de Francisco estão sendo divulgados e acolhidos pelos respectivos segmentos, com adesões importantes e criativas da sociedade e da Igreja no Brasil.

Nesta pandemia estamos experimentando e assistindo a situações de grande dor e de belas iniciativas, a saber, de um lado, a fragilidade de nossas políticas públicas, a inabilidade de nossos governantes no trato da pandemia, o negacionismo de uma parcela de brasileiros, a politização e ideologização da pandemia, a impossibilidade dos ritos e orações por ocasião do sepultamento dos mortos por COVID-19, causando dor ainda maior às famílias; por outro lado, a solidariedade entre as pessoas, famílias e comunidades, as muitas e criativas formas de presença junto aos que sofrem com a solidão e o abandono, sobretudo os idosos. A pandemia nos tem educado para muitas ações de evangélica caridade, de socorro aos mais vulneráveis, num belo e criativo pacto pela vida e pelo nosso sofrido Brasil.

Contudo, não faltam iniciativas pastorais e vozes proféticas para apontar o Reino e a primazia da vida. Não estamos silenciados! Não estamos omissos! Mesmo reconhecendo o poder das forças de destruição e de morte a que estamos sujeitos. Não perdemos de vista o Evangelho e a presença invisível e vitoriosa do Senhor Jesus, o Vivente, que nos acompanha e nos ajuda a interpretar a história em chave pascal, como fez com os discípulos de Emaús.

Nossa Assembleia Geral dedica-se neste ano, em consonância com as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, ao tema da Igreja como Casa da Palavra de Deus. “Casa da Palavra: animação bíblica da vida e da pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias”. A partir da imagem bíblica da semente (Mt 13,1-9) queremos mergulhar no mistério do Cristo-Palavra, nos desafios da semeadura neste nosso tempo, nos terrenos prioritários, nos meios para semear. Conhecer a Escritura é conhecer Cristo. Ele é nossa Páscoa e nossa Paz! “Do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a). É preciso recomeçar sempre a partir d’Ele! Anuncia-lo com novo ardor, novos métodos, novo testemunho é missão sempre nova e urgente.

Unimo-nos a Vossa Santidade nos esforços pela purificação, conversão e justiça frente aos casos de abusos cometidos por membros da Igreja. Nossas dioceses estão, pouco a pouco, estruturando os “Serviços diocesanos de proteção de crianças, adolescentes e vulneráveis”, para responder e combater este mal que precisa ser extirpado. Há uma assessoria nacional, Núcleo Lux Mundi, que tem prestado grande ajuda às Dioceses e Congregações Religiosas na constituição deste serviço eclesial.

O Sínodo para a Amazônia e a Exortação Apostólica Pós-sinodal “Querida Amazônia” repercutem em nova sensibilidade, gestos de solidariedade e novas atenções pastorais sobre as belezas e problemáticas que tocam aquela região, ainda marcada por graves agressões.

Acompanhamos e rezamos pela Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a realizar-se em novembro próximo, para celebrar, rever e retomar as luzes, perspectivas e esperanças da Conferência de Aparecida, quatorze anos após aquele encontro do episcopado latino-americano e caribenho, da qual Vossa Santidade, ainda como Arcebispo de Buenos Aires, participou e colaborou decisivamente.

Os Bispos presentes a esta Assembleia Geral do episcopado brasileiro, juntamente com aqueles que nos auxiliam neste encontro, sacerdotes, diáconos, religiosas, cristãos leigos e leigas, assessores e convidados, cada um, a partir de sua Igreja Local, do seu lar ou do seu local de trabalho pastoral, suplica sua bênção apostólica e eleva a Deus uma prece, pela intercessão da Virgem Aparecida, pela sua vida e ministério na Igreja.

Em fecunda e permanente comunhão orante,

Brasília-DF, 13 de abril de 2021.
A presidência.

CNBB