quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Nosso Bispo Dom Frei Irineu Andreassa, OFM - participa da 59ª Assembleia Geral da CNBB em Aparecida (SP)




 

(Arce)Bispos de Minas Gerais (Leste 2) estão reunidos até sexta-feira, dia 2 de setembro, no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), para a realização da 59ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Nesta etapa presencial, a pauta conta com cinco temas são prioritários: o Tema Central: “Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão”, propostas e indicações para a elaboração das próximas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) serão feitas rumo à consolidação na 60ª Assembleia Geral da CNBB, em 2023.

Com a característica de ser deliberativa, os temas que serão votados pelo episcopado são as atualizações no Estatuto da CNBB, a tradução do Missal Romano, o texto do Ministério do Catequista e o Estudo nº 114 da CNBB cujo título é: “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14) - Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias”.

Além disso, outros 14 temas diversos vão ser objeto de reflexão e discussão dos cardeais, arcebispos, bispos diocesanos e auxiliares e coadjutores que participam da #59agcnbb, como exemplo o 18º Congresso Eucarístico Nacional; a Celebração dos 70 anos da CNBB; a Jornada Mundial da Juventude 2023; o Sínodo dos Bispos 2023, entre outros.

 VEJA  AS FOTOS AQUI


BISPOS DO BRASIL, REUNIDOS NA 59ª AG CNBB, ENVIAM CARTA AO PAPA FRANCISCO


O episcopado brasileiro, reunido na 59ª Assembleia Geral da Conferência Geral dos Bispos do Brasil (AG CNBB) desde domingo, 28 de agosto, aprovou e enviou um carta encaminhada ao Papa Francisco na segunda-feira, 29 de agosto. No documento, afirmaram que “Comunhão, participação e missão”, o mesmo tema do Sínodo dos Bispos de 2023 convocado pelo Santo Padre, constituem a inspiração e o critério das duas etapas da 59ª Assembleia Geral.

“Esta inspiração foi enriquecida pela conclusão da fase diocesana do Sínodo em todas as Igrejas Particulares do Brasil o que nos proporcionou a oportunidade de conhecer um retrato da escuta sinodal realizada nas comunidades eclesiais de todo o nosso País”, escreveram.

Os bispos destacam na carta que neste ano comemora-se os 200 anos da Independência do Brasil (1822 – 2022). “Neste contexto, a sociedade brasileira se encaminha para a eleição dos seus representantes legislativos e executivos, em âmbito nacional e estadual. Contudo, observamos que os contextos da comemoração histórica e do exercício democrático de direito desenvolvem-se sob clima de tensão entre os Poderes da República”, expressaram.

No documento, os prelados disseram que a Conferência Episcopal do Brasil tem se esforçado para animar as pessoas e as organizações da sociedade civil, através do Pacto pela Vida e pelo Brasil, dentro da tônica de amizade e cooperação social, em vista do bem comum, proposta na Carta Encíclica Fratelli Tutti. “Acreditamos na irrenunciável missão de nos empenharmos na promoção da pessoa humana à luz da fé cristã. Nesta tarefa, em que reconhecemos a essência do humanismo solidário cristão”, afirmaram na carta.

  Conheça a íntegra da CARTA DO PAPA

sexta-feira, 29 de julho de 2022

PRESIDÊNCIA DA CNBB ELABORA PROTOCOLO PARA AUDIÊNCIAS COM OS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES 2022


Em vista do processo eleitoral deste ano, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elaborou um protocolo para as audiências com os candidatos aos cargos eletivos que a procurarem. Serviço costumeiramente realizado pela entidade, tanto em relação a candidatos, quanto a autoridades, as audiências são importantes momentos para a construção do bem comum, fortalecendo o diálogo da Igreja com a sociedade.

O documento foi elaborado com o apoio das Assessorias Política e de Comunicação, após ouvir regionais e analisar propostas com o Conselho Permanente da CNBB. Ele norteará os atendimentos de candidatos a cargos eleitorais. O material foi enviado aos bispos “no desejo de que, em contínua aprendizagem, consigamos atravessar o período eleitoral contribuindo para o bem comum, com especial atenção aos mais fragilizados e evitando, dentro do possível, as sequelas da divisão e do pecado”.

A Presidência da CNBB vai seguir o protocolo, apresentando-o aos candidatos e suas assessorias quando procurarem a CNBB para as audiências.

“Solicitamos que ele seja divulgado e, conforme nele é dito, seja adequado à realidade de cada regional, mantida por certo a unidade de toda a Igreja no Brasil”, indica a Presidência.

As indicações

São 11 pontos no “Protocolo para atendimento de candidatos e candidatas a cargos eleitorais em 2022″. Eles direcionam a instância da Conferência responsável pelos atendimentos, conforme o cargo em disputa e definem uma espécie de roteiro para as visitas dos candidatos.

A ideia é que todas as solicitações sejam atendidas, “ainda que de forma diferenciada de acordo com o cargo em disputa”. Os candidatos à Presidência da República, por exemplo, serão recebidos pelo presidente e pelo secretário-geral da CNBB, acompanhados das assessorias política e de comunicação da CNBB e do candidato.

Já os candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados serão atendidos, preferencialmente, pelas Presidências dos regionais, as quais também devem acolher os pedidos de audiência feitas por candidatos aos governos e parlamentos estaduais e do Distrito Federal. Este atendimento será feito “em comum acordo com os arcebispos ou bispos, das capitais dos estados ou DF”.

O protocolo define que todas as solicitações devem ser encaminhadas à Assessoria Política da CNBB, por meio do endereço eletrônico: politica@cnbb.org.br

As audiências serão presenciais, “obedecendo rigorosamente às regras sanitárias do momento em que ocorrerem” e “divididas em três momentos em tempo de até uma hora”: recepção, conversa e encerramento.

De acordo com o protocolo, a Presidência da CNBB buscará abordar durante a conversa com todos os candidatos os mesmos pontos: Acordo Brasil Santa-Sé; defesa da Casa Comum; defesa da Democracia; defesa do verdadeiro Estado Laico; defesa integral da vida; Economia de Francisco; Educação; Pobreza, exclusão e justiça social.

O documento também dá indicações para o acesso da imprensa e o funcionamento da cobertura midiática das audiências.


FONTE CNBB: Confira o documento na íntegra.

 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

CNBB APRESENTA O CARTAZ DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2023

 


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a identidade visual da Campanha da Fraternidade 2023, que tem como tema “Fraternidade e fome”, e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). O concurso seguiu as orientações do edital e o parecer final para a escolha coube ao Conselho Permanente da CNBB. O cartaz escolhido foi produzido por Luiz Lopes Jr., de Brasília (DF).

“Vemos no cartaz o mapa do Brasil, país considerado o celeiro do mundo, mas que carrega uma grande contradição: a fome é real e atinge hoje cerca de 33,1 milhões de Brasileiros. Em destaque contemplamos as mãos que repartem e dão vida a solidariedade guiada pela fé. O arroz e o feijão, alimento do povo, passam pelas mãos de homens e mulheres que sabem que a solução do problema da miséria e da fome não está somente nos recursos financeiros mas na vida fraterna. Ninguém deve sofrer com a fome quando realmente vivemos como irmãos e irmãs. Eis o convite: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16)”.


Oração da CF 2023

Também foi aprovada pelos bispos do Conselho Permanente a oração da Campanha da Fraternidade 2023:

Pai de bondade,
ao ver a multidão faminta,
vosso Filho encheu-se de compaixão,
abençoou, repartiu os cinco pães e dois peixes
e nos ensinou: “dai-lhes vós mesmos de comer”.
Confiantes na ação do Espírito Santo,
vos pedimos:
inspirai-nos o sonho de um mundo novo,
de diálogo, justiça, igualdade e paz;
ajudai-nos a promover uma sociedade mais solidária,
sem fome, pobreza, violência e guerra;
livrai-nos do pecado da indiferença com a vida.
Que Maria, nossa mãe, interceda por nós
para acolhermos Jesus Cristo em cada pessoa,
sobretudo nos abandonados, esquecidos e famintos.
Amém

 

A CF 2023

Pela terceira vez a fome é tratada pela Igreja no Brasil, na Campanha da Fraternidade. A primeira foi em 1975, com o tema ‘Fraternidade é repartir’ e o lema Repartir o pão’, no clima do Ano Eucarístico que precedeu o Congresso Eucarístico Nacional de Manaus, que trazia o mesmo tema e lema e desejava intensificar a vivência da Eucaristia em nosso povo. A segunda foi em 1985, outro Ano Eucarístico, desta vez em preparação para o Congresso Eucarístico de Aparecida, com o lema ‘Pão para quem tem fome’.

Agora, em 2023, logo depois do 18º Congresso Eucarístico Nacional, que se realizará em Recife, de 11 a 15 de novembro de 2022, sob o tema ‘Pão em todas as mesas’, a Igreja no Brasil enfrenta pela terceira vez o flagelo da fome. Com o lema que é uma ordem de Jesus aos seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).

“É vocação, graça e missão da Igreja responder ao chamado e cumprir a ordem de Jesus, afirmamos no contexto do 3º Ano Vocacional que viveremos a partir de novembro deste ano. A fome é um instinto natural de sobrevivência presente em todos os seres vivos. Contudo, na sociedade humana, a fome é uma tragédia, um escândalo, é a negação da própria existência”.


FONTE: CNBB

terça-feira, 19 de julho de 2022

CNBB E AJUDA À IGREJA QUE SOFRE (ACN) PROMOVEM, DIA 6 DE AGOSTO, A 8ª EDIÇÃO DO “DIA DE ORAÇÃO PELOS CRISTÃOS PERSEGUIDOS”


Em 6 de agosto celebraremos a 8ª edição do ‘Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos’. Com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a ACN, sigla em inglês para Ajuda à Igreja que Sofre, promove essa iniciativa convidando todas as paróquias e comunidades cristãs do país a participarem. Rezar é dizer que nos importamos e que estamos ao lado dos irmãos que pagam um alto preço por acreditarem em Jesus.

Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos ocorre anualmente no dia 6 de agosto em referência à mesma noite de agosto de 2014, quando milhares de cristãos fugiram do norte do Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. A região concentrava 25% dos cristãos do país e também reunia algumas minorias muçulmanas ameaçadas. A fuga ocorreu à noite, com milhares de pessoas caminhando pelas estradas em direção às cidades curdas de Erbil e Dohuk. “Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram de suas casas sem nada, somente com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas, precisando de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar”, declarou na ocasião o Patriarca Louis Raphael Sako, chefe da Igreja Católica Caldeia.


Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer materialmente e espiritualmente os perseguidos e refugiados. Desde então a Fundação Pontifícia realiza um dos maiores projetos de ajuda da sua história, direcionando esforços para alimento, abrigo e educação para os refugiados, ação que já resulta em mais de 2 mil projetos no Oriente Médio desde o início da crise.

Um direito não respeitado

O artigo 18.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz: “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.”

No entanto não é isto que se vê em boa parte do mundo. A discriminação e a perseguição com base na crença religiosa são um fenômeno crescente em todo o mundo. A liberdade religiosa é violada em quase um terço dos países do mundo (31,6%), onde vivem dois terços (67%) da população mundial – aproximadamente 5,2 bilhões de pessoas. Por trás dos conflitos mais violentos do mundo estão aqueles que manipulam a religião na busca pelo poder, seja ele político, econômico ou social.


Não há somente uma religião que seja perseguida ou mesmo manipulada. Dependendo da localidade, uma se sobressai como alvo de ataques que vão desde frases discriminatórias a atos de violência gratuita e sem sentido. Mas, no geral, os cristãos ainda se mantém no topo das estatísticas como o grupo religioso mais perseguido e odiado do mundo.

Sobre a Ajuda à Igreja que Sofre

A ACN (sigla em inglês) é uma Fundação Pontifícia que auxilia a Igreja por meio de informações, orações e projetos de ajuda a pessoas ou grupos que sofrem perseguição e opressão religiosa e social ou que estejam em necessidade. Fundada no Natal de 1947, a ACN tornou-se uma Fundação Pontifícia da Igreja em 2011. Todos os anos, a instituição atende mais de 5.000 pedidos de ajuda de bispos e superiores religiosos em cerca de 140 países, incluindo: formação de seminaristas, impressão de Bíblias e literatura religiosa – incluindo a Bíblia da Criança da ACN com mais de 51 milhões de exemplares impressos em mais de 190 línguas; apoia padres e religiosos em missões e situações críticas; construção e restauração de igrejas e demais instalações eclesiais; programas religiosos de comunicação; e ajuda aos refugiados e vítimas de conflitos.

 

Confira: CNBB   VATICANNEWS   ACN

terça-feira, 12 de julho de 2022

BISPOS REFORÇAM, EM MENSAGEM, O CLAMOR PARA CESSAR O ENSURDECEDOR BARULHO DOS TIROS QUE CEIFAM VIDAS


Sobre o episódio que resultou na morte do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, 50, no último sábado, 9 de julho, em Foz do Iguaçu (PR), o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirmou que a “insanidade que transforma uma festa de aniversário, momento de alegria e fraternidade, em cenário de violência e morte não deve ser a referência para o exercício da cidadania no Brasil”. O presidente da CNBB chama a atenção que todos precisam se unir em torno a um compromisso pela paz para que o país se torne mais justo, solidário e fraterno.

Preocupados com o cenário de violência, no último dia 22 de junho, os bispos que integram o Conselho Permanente da CNBB divulgaram uma mensagem ao povo brasileiro com o apelo: “Um clamor pela Paz”. O texto foi aprovado por unanimidade pelos prelados durante a reunião do órgão que é constituído pela presidência da CNBB, pelos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais (CONSEP) e pelos membros dos Conselhos Episcopais Regionais (CONSER), os 19 regionais da entidade.

Na mensagem, os membros do Conselho Permanente afirmam que nestes tempos, faz-se urgente escutar as vozes de tantos que, vitimados por variadas formas de violência, clamam por justiça e paz. Salientam que as realidades violência não podem ser naturalizadas e que é impossível aceitar o extermínio de irmãos e irmãs.

Para os bispos urge não fechar os olhos diante da “loucura da corrida armamentista no Brasil” (…).

“A violência precisa ser estancada. Diante de tantas situações que nos envergonham, nós, bispos do Conselho Permanente da CNBB, voltamos a erguer nossa voz para denunciar a violência e solidariamente clamar por paz. Unimo-nos a todas as pessoas e entidades que, de coração sincero, se empenham nessa direção. Enxergamos nesse esforço o Espírito do Deus da Vida que não nos permite desanimar, nem nos deixa enredar pelas artimanhas do mal, por mais astuciosas e aparentemente convincentes que possam ser”.

Por isso, na responsabilidade da missão de pastores, os bispos expressam uma palavra de esperança ao povo brasileiro: “aos sofredores, que não desistam, aos que têm poder de cuidar, defender e promover o bem comum, que não se omitam e aos que diretamente ferem e destroem a paz, que se convertam!”.

“Unamo-nos em favor da verdadeira paz! Não nos deixemos abater! Não nos deixemos frustrar! O Bom Deus escuta os clamores de seu povo! Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz, interceda sempre pelo Brasil e pelo mundo”.

Confira a mensagem do Conselho Permanente a todo o povo brasileiro na íntegra:

UM CLAMOR PELA PAZ

Eu ouvi os clamores do meu povo. (Ex 3,7)

A paz de Jesus Cristo, que proporciona vida em abundância e alegria plena, é um dom precioso de Deus e desejo de todo o ser humano de boa vontade. Contudo, infelizmente, nosso mundo escuta hoje os estrondos da guerra, os gemidos da fome, o ensurdecedor barulho dos tiros que ceifam vidas e ecoam no choro das vítimas e de seus familiares. Soma-se a isso a indiferença, que fecha olhos e corações, as desculpas para nada fazer e as fake-news em seu esforço por tudo encobrir em cortinas de fumaça.

As guerras vão-se multiplicando cruelmente em diversas regiões do mundo, somando-se às abomináveis e impactantes cenas que nos chegam da Ucrânia através da mídia. São invisíveis os conflitos como em Moçambique, Iêmen, Etiópia, Haiti, Mianmar, entre tantos outros, que assumem hoje os contornos de uma “terceira guerra mundial por pedaços” (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 25).

Nestes tempos, faz-se urgente escutar as vozes de tantos que, vitimados por variadas formas de violência, clamam por justiça e paz. Esta realidade não pode ser naturalizada. É impossível aceitar o extermínio de irmãos e irmãs. Seus corpos sem vida clamam por justiça e responsabilização. Suas memórias e seus sonhos de paz devem permanecer vivos entre nós.

A desigualdade social, gerada pela concentração de renda, os conflitos religiosos, o ataque sistemático aos territórios dos povos tradicionais, o desprezo e o rechaço aos migrantes e o flagelo da fome são algumas das formas da violência estrutural visibilizada nos tempos de hoje.

Urge não fechar os olhos diante da loucura da corrida armamentista no Brasil. O número de caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo (CACs), aumentou 325% de 2018 a 2021. “O gasto com armas é um escândalo, suja o coração, suja a humanidade” (Papa Francisco, 21 de março de 2022), particularmente quando alimentado por discursos fundamentalistas, inclusive religiosos, que transformam adversários em inimigos e comprometem a fraternidade.

A violência precisa ser estancada. Diante de tantas situações que nos envergonham, nós, bispos do Conselho Permanente da CNBB, voltamos a erguer nossa voz para denunciar a violência e solidariamente clamar por paz. Unimo-nos a todas as pessoas e entidades que, de coração sincero, se empenham nessa direção. Enxergamos nesse esforço o Espírito do Deus da Vida que não nos permite desanimar, nem nos deixa enredar pelas artimanhas do mal, por mais astuciosas e aparentemente convincentes que possam ser.

A vida é o maior dom! Cuidar responsavelmente da vida implica trabalhar artesanalmente pela paz (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 225), a justiça social e o bem comum, sempre no respeito pelas diferenças, valorizando a liberdade religiosa e a verdade, dialogando até a exaustão, pois tudo isso é condição para a verdadeira paz.

Por isso, na responsabilidade de nossa missão de pastores, queremos expressar nossa palavra de esperança: aos sofredores, que não desistam, aos que têm poder de cuidar, defender e promover o bem comum, que não se omitam e aos que diretamente ferem e destroem a paz, que se convertam!

Unamo-nos em favor da verdadeira paz! Não nos deixemos abater! Não nos deixemos frustrar! O Bom Deus escuta os clamores de seu povo! Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz, interceda sempre pelo Brasil e pelo mundo.

Brasília-DF, 22 de junho de 2022.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler. OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá – MT
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da Arquidiocese de São
Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário Geral da CNBB

 

Confira o arquivo : AQUI

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Papa: não se deixem arrastar por ideologias que mostram o outro como inimigo.

O outro é uma riqueza. Nenhuma discriminação contra ninguém, por nenhuma razão. Sejamos solidários com todos; não só com quem se parece comigo ou mostra uma imagem de sucesso, mas também com aqueles que sofrem, independentemente da sua nacionalidade e condição social. Palavras do Papa aos participantes da Conferência Europeia da Juventude, que se realiza de 11 a 13 de julho em Praga, na República Tcheca. Francisco destaca a figura do educador brasileiro Paulo Freire.

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes da Conferência Europeia da Juventude, que se realiza de 11 a 13 de julho em Praga, na República Tcheca, convidando-os a transformar o “Velho Continente” num “continente novo”, e isto só é possível convosco, frisou.

“Vós, jovens europeus, tendes uma missão importante. Se outrora os vossos antepassados se aventuraram para outros continentes, nem sempre por interesses nobres, agora compete-vos a vós apresentar ao mundo um novo rosto da Europa”, é a exortação do Pontífice já no início de sua mensagem. Francisco dedica grande parte da mesma à iniciativa, lançada em setembro de 2019, designada Pacto Educativo Global.

Educar as gerações para a fraternidade

“Trata-se duma aliança entre os educadores de todo o mundo com a finalidade de educar as gerações jovens para a fraternidade. Mas, vendo como está a andar este mundo guiado por adultos e idosos, parece que deveríeis antes ser vós a educar os adultos para a fraternidade e a convivência pacífica!” – observa.

Entre os primeiros compromissos do Pacto Educativo, aparece o de ouvir as crianças, os adolescentes e os jovens. Por isso, acrescenta o Santo Padre, “queridos jovens, fazei ouvir a vossa voz! Se não vos ouvirem, gritai ainda mais forte, fazei rumor, tendes todo o direito de dar a vossa opinião sobre o que diz respeito ao vosso futuro. Encorajo-vos a ser empreendedores, criativos e críticos”.

Paulo Freire: todos chamados a educar-nos em comunhão

Neste Pacto, não há “remetentes” e “destinatários”, mas todos somos chamados a educar-nos em comunhão, como sugeria o pedagogo brasileiro Paulo Freire, aponta o Pontífice.

De entre as várias propostas do Pacto Educativo Global, o Papa destaca a de “abrir-se ao acolhimento”, ou seja, o valor da inclusão, referida também na Conferência dos jovens. Francisco exorta os jovens a não se deixarem “arrastar por ideologias míopes que pretendem mostrar-vos o outro, o diverso como um inimigo”.

O Santo Padre destaca ainda que o objetivo principal do Pacto Educativo é educar a todos para uma vida mais fraterna, baseada, não na competitividade, mas na solidariedade.

 O Papa: a educação compromete-nos a acolher o outro como ele é, sem julgar ninguém

O Papa volta seu olhar para o conflito na Ucrânia: “Queridos jovens, ao mesmo tempo que estais a realizar a vossa Conferência, na Ucrânia (que não é União Europeia, mas é Europa), combate-se uma guerra absurda. Esta, juntando-se aos numerosos conflitos em curso em diversas regiões do mundo, torna ainda mais urgente um Pacto Educativo que a todos instrua para a fraternidade”.

Francisco acrescenta que a ideia duma Europa Unida brotou dum forte anseio de paz, depois de tantas guerras travadas no Continente, e levou a um período de paz que durou setenta anos. “Agora todos nos devemos empenhar para pôr fim a esta loucura da guerra, onde, como de costume, uns poucos poderosos decidem e mandam a combater e morrer milhares de jovens. Em casos como este, é legítimo rebelar-se!”

Europa seja, para todos,  terra de paz, liberdade e dignidade

Disse alguém que, se o mundo fosse governado pelas mulheres, não haveria tantas guerras, porque elas que têm a missão de dar a vida não podem abraçar opções de morte, disse ainda o Santo Padre. “De modo semelhante apraz-me pensar que, se o mundo fosse governado pelos jovens, não haveria tantas guerras: aqueles que têm toda a vida diante de si, não a querem esfrangalhar e malbaratar, mas vivê-la em plenitude”, ressalta.

Antes de concluir, o Pontífice os convida a todos para a Jornada Mundial da Juventude do próximo ano em Lisboa, “onde podeis partilhar os vossos sonhos mais belos com jovens de todo o mundo”.

Por fim, o Papa Francisco faz uma premente exortação aos participantes da Conferência: “que sejais jovens generativos, capazes de gerar novas ideias, novas visões do mundo, da economia, da política, da convivência social; e não só novas ideias, mas sobretudo novos caminhos para serem percorridos juntos. E que sejais generosos também em gerar novas vidas, sempre e só por amor! Amor ao vosso marido e à vossa esposa, amor à família, amor aos vossos filhos, e também amor à Europa a fim de ser, para todos, terra de paz, liberdade e dignidade”.


Fonte: Vatican News