DIOCESE DE ITUIUTABA - (Dioecesis Ituiutabensis) - A Diocese de Ituiutaba é uma divisão territorial da Igreja Católica no Estado de Minas Gerais. Sua sede é o município de Ituiutaba. Foi criada em 16 de outubro de 1982 pelo Papa São João Paulo II pela Bula Quo Melius, que quer dizer: Quanto Melhor, de 16 de outubro de 1982. A Diocese de Ituiutaba tem uma área de 22.397,8 Km².
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
ABERTURA CFE: DOM JOEL PEDE PARA QUE A CELEBREMOS COM O CORAÇÃO ABERTO, AFASTANDO O QUE DIVIDE E BUSCANDO SEMPRE A UNIDADE
A abertura simbólica e virtual da quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), uma realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), aconteceu nesta Quarta-feira de Cinzas, 17 de fevereiro.
O lançamento virtual foi uma escolha das entidades
promotoras da Campanha como forma de prevenção da Covid-19. Como constava
na programação, às 10h houve a divulgação de um vídeo, por meio das redes
sociais da CNBB, com pronunciamentos de representantes das Igrejas que compõem
o Conic. Também houve a apresentação da mensagem do Papa Francisco sobre a CFE e a
quaresma.
No vídeo, dom Joel Portella Amado (secretário-geral da
CNBB) acolheu e saudou a todos e, especialmente, a memória dos mais de duzentos
e trinta mil irmãos e irmãs que o coronavírus levou de nosso convívio. “A esses
e essas, nossa saudade e nosso compromisso por lutarmos até onde for possível
para que essa pandemia encontre o seu término e sejamos capazes de construir um
mundo eminentemente marcado pela fraternidade”, disse dom Joel.
“É certo que a fraternidade exige presença, contato,
convívio. Mas, exige também maturidade suficiente para podermos viver o
distanciamento quando, por razões que nos ultrapassam, ele se faz necessário”,
disse o bispo.
Dom Joel enfatizou, no vídeo, que esta Campanha da
Fraternidade traz consigo um significado que não podemos perder, que não
podemos deixar morrer, sufocar, abafar. “Perplexas pela pandemia, as Igrejas
que compõem o CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, e algumas Igrejas
observadoras uniram-se e identificaram no tema do diálogo a mensagem
que nosso tempo necessita”, disse.
Segundo o bispo, é triste ver que nosso tempo vem
apresentando a marca das radicalizações, das polarizações, com o desrespeito às
pessoas, em especial as mais simples, as mais fragilizadas. “Nosso tempo
necessita que radicalizemos a fraternidade e a comunhão, a solidariedade e a
partilha”.
O que é o diálogo?
Ainda, em seu depoimento, dom Joel afirmou que não se
trata, por certo, de querer que todos pensem do mesmo modo, pois Deus não nos
criou clones. “Trata-se, porém, de perceber que a diferença é convite ao
encontro, encontro que se faz exatamente através do diálogo”.
É por isso, de acordo com ele, que a Campanha da
Fraternidade desse ano, Campanha da Fraternidade Ecumênica, tem como tema não
um ou outro aspecto da realidade humana, social, religiosa, econômica ou
política.
“Ela une tudo isso e chega aos fundamentos maiores, ou,
como costumamos dizer, aos fundamentos últimos do modo como estamos organizando
o mundo atualmente. E o mundo não pode ser organizado a partir da separação, da
divisão, do sectarismo, das polarizações, da destruição nem muito menos da
morte, que é a consequência de tudo isso”.
O secretário-geral da CNBB também afirmou que a fé nos
ensina de onde vem a divisão. “Ela nos mostra quem é o divisor. Ao contrário,
como nos diz a carta aos Efésios, o Senhor Jesus Cristo uniu, formou um único
povo, ainda que as diferenças permaneçam. A Campanha da Fraternidade Ecumênica
desse ano nos recorda, a partir da Carta aos Efésios, que Cristo derrubou os
muros, ou seja, as razões que o pecado faz surgir para a separação”, disse.
Dom Joel pediu para que não nos esqueçamos de que o tema
do diálogo se encontra em linha de continuidade com a Campanha da Fraternidade
de 2020. “Ano passado, nós fomos convidados a encontrar caminhos para superar a
indiferença e construir relações baseadas no cuidado. E essa construção se
dá exatamente por meio do diálogo, da busca em comum, envolvendo partilha de
ideias, escuta e discernimento”.
“Por isso, irmãs e irmãos, celebremos mais uma Campanha
da Fraternidade, neste ano, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o
coração aberto, afastando o que divide e buscando sempre a unidade. Onde a
dificuldade se fizer presente, façamos do diálogo nosso caminho de solução.
Diante da pandemia do coronavírus, o mundo busca vacinas. Diante dos impasses
da vida, onde as radicalizações e polarizações se manifestam, vacinemo-nos com
o diálogo. Esse o Bom Deus não deixa faltar não”.
Após a exibição do vídeo, jornalistas credenciados
puderam participar de uma entrevista coletiva com representantes das igrejas
por meio da plataforma Zoom.
A CFE
Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica
é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e
o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez
uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios,
capítulo 2, versículo 14.
Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma,
período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é
promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas
Cristãs. A CFE 2021 quer convidar os cristãos e pessoas de boa vontade a
pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações
e das violências que marcam o mundo atual. Tudo isso através do diálogo amoroso
e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de
Cristo.
Gesto concreto
A Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a
Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos nas comunidades
de todo o Brasil. Os recursos são destinados aos Fundos Diocesanos e Nacional
da Solidariedade, os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da
campanha. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) distribuiu a quantia
de R$3.814.139,81, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da
pandemia, não ocorreu arrecadação. Conheça
alguns projetos apoiados pelo FNS.
Histórico
A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) tem sido
realizada, em média, a cada cinco anos. A iniciativa congrega diversas
denominações cristãs, sempre de forma ecumênica, valorizando as riquezas em
comum entre as igrejas. Desde 2000, abordou os seguintes temas:
2000 – Tema “Dignidade humana e paz” e lema “Novo milênio
sem exclusões”;
2005 – Tema “Solidariedade e paz” e lema “Felizes os que
promovem a paz”;
2010 – Tema “Economia e Vida” e lema “Vocês não podem
servir a Deus e ao dinheiro”;
2016 – Tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” (tratou
do meio ambiente e saneamento básico) e lema “Quero ver o direito brotar como
fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
O Papa na mensagem para a Quaresma: cuidar de quem sofre por causa da Covid-19
O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”.
Foi divulgada, nesta sexta-feira (12/02), a a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano sobre
o tema “Vamos subir a Jerusalém. Quaresma: tempo para renovar fé, esperança e
caridade”.
O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de
conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração
aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”.
Francisco recorda que “na noite de Páscoa, renovaremos as promessas do nosso
Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e graça do
Espírito Santo. Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho
cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os
sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”.
Quem jejua faz-se pobre com os pobres
“O jejum, a oração e a esmola, tal como são apresentados
por Jesus na sua pregação, são as condições para a nossa conversão e sua
expressão”, ressalta o Papa na mensagem.
De acordo com Francisco, o “jejum, vivido como
experiência de privação, leva as pessoas que o praticam com simplicidade de
coração a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de
criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n'Ele encontram plena
realização. Ao fazer experiência duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre
com os pobres e «acumula» a riqueza do amor recebido e partilhado. Jejuar significa
libertar a nossa existência de tudo o que a atravanca, inclusive da saturação
de informações, verdadeiras ou falsas, e produtos de consumo, a fim de abrirmos
as portas do nosso coração Àquele que vem a nós pobre de tudo, mas «cheio de
graça e de verdade»: o Filho de Deus Salvador”.
Dizer palavras de incentivo
"No contexto de preocupação em que vivemos
atualmente onde tudo parece frágil e incerto, falar de esperança poderia
parecer uma provocação. O tempo da Quaresma é feito para ter esperança, para
voltar a dirigir o nosso olhar para a paciência de Deus, que continua cuidando
de sua Criação, não obstante nós a maltratamos com frequência."
O Pontífice convida no tempo da Quaresma, a estarmos
“mais atentos em «dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam,
fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam,
desprezam». Às vezes, para dar esperança, basta ser «uma pessoa amável, que
deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer
um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no
meio de tanta indiferença».”
“No recolhimento e oração silenciosa, a esperança nos é
dada como inspiração e luz interior, que ilumina desafios e opções da nossa
missão; por isso mesmo, é fundamental recolher-se para rezar e encontrar, no
segredo, o Pai da ternura”, ressalta o Papa.
Tempo para crer, esperar e amar
“A caridade se alegra ao ver o outro crescer; e de igual
modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado,
necessitado. A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos
gerando o vínculo da partilha e da comunhão. «A partir do “amor social”, é
possível avançar para uma civilização do amor a que todos nos podemos sentir
chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo
novo, porque não é um sentimento estéril, mas o modo melhor de alcançar vias
eficazes de desenvolvimento para todos».”
Segundo Francisco, “viver uma Quaresma de caridade
significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou
angústia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza
quanto ao futuro, ofereçamos, junto com a nossa obra de caridade, uma palavra
de confiança e façamos sentir ao outro que Deus o ama como um filho. «Só com um
olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber
a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua
dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte,
verdadeiramente integrados na sociedade»”.
“Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo
para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de
conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa
memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada
pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração
misericordioso do Pai”, conclui o Papa.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
EM MENSAGEM AO POVO DE DEUS, CNBB REFORÇA A ESPERANÇA, A CARIDADE E MISSÃO DA IGREJA NO BRASIL NO CONTEXTO DA PANDEMIA
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, como resultado da reunião realizada nesta quarta-feira, 25 de novembro, uma Mensagem ao Povo Brasileiro em tempo de pandemia. O documento foi referendado pelos mais de 200 bispos, num total de 297 pessoas, compreendendo assessores das comissões episcopais e representantes de pastorais e organismos vinculados à CNBB que participaram da reunião.
A mensagem busca refletir sobre a presença e missão da Igreja na realidade
brasileira e expressar uma mensagem de esperança e proximidade no contexto do
novo Coronavírus. O documento destaca ainda que a Igreja no Brasil é impelida a
perseverar na caridade, dando continuidade, nas paróquias, comunidades
eclesiais missionárias e instituições religiosas de todo país, das redes de
solidariedade em defesa da vida que se multiplicaram-se neste ano em razão da
pandemia.
Mensagem ao Povo de Deus em tempo de pandemia
Amado Povo de Deus, nós bispos do
Brasil, reunidos num encontro virtual para refletir sobre a atual presença e
missão da Igreja, queremos expressar nossa mensagem de esperança e proximidade.
Neste ano irrompeu inesperadamente a
pandemia da COVID19, alterando nossas rotinas, revelando outras enfermidades de
nosso tempo e causando grande impacto num já fragilizado sistema de saúde, na
seguridade social, nos sistemas produtivos, na educação, na vida familiar, social
e religiosa em geral. O Papa Francisco alerta que “a tribulação, a incerteza, o
medo e a consciência dos próprios limites, que a pandemia despertou, fazem
ressoar o apelo a repensar os nossos estilos de vida, as nossas relações, a
organização das nossas sociedades e, sobretudo, o sentido da nossa existência”.
(Fratelli Tutti, 33)
Estamos num tempo de muitos
questionamentos e cabe-nos escutar o que o Espírito tem a dizer para a Igreja
(Ap 2,7) nesse contexto. A provação tem favorecido importantes aprendizados e
oportunidades para a vivência e o anúncio do Evangelho. Reconhecemos, com
gratidão, o empenho de tantas comunidades cristãs que foram criativas para
manter a ação evangelizadora, especialmente pelas mídias sociais, promovendo a
transmissão de celebrações litúrgicas, catequeses e aconselhamento aos fiéis. A
Igreja doméstica foi fortalecida, em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora, que promovem a comunidade cristã como Casa da Palavra, do Pão,
da Caridade e da Missão. Percebe-se o protagonismo dos leigos e, especialmente,
das mulheres na promoção da Igreja nas casas.
Igualmente somos impelidos pelo
Evangelho a perseverar na caridade. Nas paróquias, comunidades eclesiais
missionárias e instituições religiosas de todo país, multiplicaram-se as redes
de solidariedade em defesa da vida. Por isso, foi coloca em prática a ação
solidária É Tempo de Cuidar, voltada a atender demandas de primeira necessidade
das pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social no contexto
da pandemia. Unidos a outras entidades da sociedade civil, estamos buscando
concretizar o Pacto pela Vida e pelo Brasil, conclamando toda a sociedade para
que, nesse tempo de pandemia, ninguém seja deixado para trás.
Como nos tem provocado o Papa
Francisco, precisamos escutar o clamor das famílias, trabalhar por uma economia
“mais atenta aos princípios éticos” (Fratelli Tutti, 170), oferecer uma
política melhor, sem desvios na garantia do bem comum, propor uma educação
humanista e solidária, comprometidos na permanente construção da democracia. É
urgente combater o racismo que se dissimula, mas não cessa de reaparecer.
(Fratelli Tutti, 20) Queremos assegurar a vida desde a concepção até a morte
natural, preservar o meio ambiente e trabalhar em defesa das populações
vulneráveis, particularmente indígenas e quilombolas. Preocupa-nos o
crescimento das várias formas de violência, entre elas, o feminicídio. “Cada
ato de violência cometido contra um ser humano é uma ferida na carne da
humanidade; cada morte violenta “diminui-nos” como pessoas”. (Fratelli Tutti,
227)
Como discípulos missionários,
queremos crescer nesse tempo difícil, empenhados em remover as desigualdades e
sanar a injustiça. A humanidade aguarda uma vacina que, distribuída com
equidade, possa ajudar a garantir a vida e a saúde para todos.
Pedimos que Deus acolha junto a Si os
que morreram neste tempo e dê consolação e paz às famílias enlutadas.
Abençoamos especialmente os incansáveis profissionais da saúde, os professores,
os cuidadores e todos que atuam em serviços essenciais. Nossa prece também
pelos presbíteros, diáconos permanentes, consagrados e consagradas, leigos e
leigas de nossas igrejas, para que se sintam encorajados.
O Advento é um tempo de renovar nossa
esperança. Confiantes, afirmamos que a fé em Cristo nunca se limitou a olhar só
para trás nem só para o alto, mas olhou sempre também para a frente (Spe Salvi,
41). Não desanimemos, não estamos sozinhos: o Senhor está conosco!
Acompanhe-nos a Santa Mãe de Deus,
Senhora Aparecida, consolo dos aflitos, saúde dos enfermos e esperança nossa!
Invocamos sobre todos a bênção da Santíssima Trindade, que sua misericórdia
continue fortalecendo e animando o povo brasileiro.
Brasília-DF, 25 de novembro de 2020
sexta-feira, 16 de outubro de 2020
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
MENSAGEM SOBRE AS QUEIMADAS: CNBB ACOMPANHA INDIGNADA A DEVASTAÇÃO E SE SOLIDARIZA COM VOLUNTÁRIOS
A Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem sobre as queimadas que ocorrem nos
biomas brasileiros da Amazônia, Cerrado e Pantanal. No texto, aprovado na noite
desta quarta-feira, 23 de setembro, a entidade afirma que “acompanha indignada
a devastação causada pelas queimadas” e se solidariza “com todos os voluntários
que arriscam a própria vida, atuando com poucos recursos no combate ao crime
sócio ambiental que está ocorrendo”.
“A efetiva superação dessa
caótica situação só se dará por meio de forte fiscalização, investigação e
responsabilização dos culpados, obrigação de reflorestamento, recuperação
integral da natureza devastada e reorganização da estrutura econômica”, afirma
a CNBB, que também convoca a sociedade brasileira a se unir ainda mais em torno
do Pacto pela Vida e pelo Brasil.
Confira o texto na íntegra:
04/06/20
Mensagem sobre as queimadas em
território brasileiro
“As feridas causadas à nossa mãe terra são feridas que também sangram em nós.(Papa Francisco – Mensagem do presidente da Colômbia, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente).
1 - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha indignada a devastação causada pelas queimadas nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Une-se às diversas manifestações de entidades católicas feitas nos últimos dias e enaltece todos que cuidam, com esmero, da Casa Comum, de modo especial os que bravamente combatem os focos de incêndio e trabalham pela preservação da vida nas áreas afetadas. A CNBB se solidariza com todos os voluntários que arriscam a própria vida, atuando com poucos recursos no combate ao crime socioambiental que está ocorrendo e na tentativa de salvar a fauna restante que não foi consumida pelo fogo.
2 - Mesmo diante de tamanha destruição, o Governo Federal paradoxalmente insiste em dizer que o Brasil está de parabéns com a proteção de seu meio ambiente. Esta atitude encontra-se em nítida contramão da consciência social e ambiental, na verdade beneficiando apenas grandes conglomerados econômicos que atuam na mineração e no agronegócio.
3 - O Ministério Público mostrou ao Governo Federal os lugares mais sensíveis onde o desmatamento e a queimada aconteceriam de forma mais evidente. Até mesmo ações judiciais foram propostas. Nada, entretanto, surtiu efeito que evitasse essa tragédia socioambiental.
4 - Não é possível permanecer em silêncio diante, por exemplo, dos cortes orçamentários no Ibama e no ICMBio, bem como do sucateamento dos órgãos de combate e fiscalização. O orçamento liberado para fiscalização do desmatamento no ano de 2019 foi de 102 milhões de reais e ainda sofreu um bloqueio de 15,6 milhões. Neste ano de 2020, o recurso foi ainda menor: conforme o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA), aprovado, foram previstos 76,8 milhões para as ações de controle e fiscalização ambiental do Ibama. Isso significa ter 25,2 milhões de reais a menos!
5 - De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza – WWF-Brasil, apesar da criação do Conselho da Amazônia, com a promessa de melhor controle no bioma por parte das Forças Armadas, agosto deste ano repetiu e mesmo superou a tragédia vivida em 2019, com um pico assustador no número de focos de incêndio. Essa agressão à Casa Comum, teve como resultado, nos anos de 2019 e 2020, recordes na quantidade de focos de queimadas no Cerrado (50.524 e 41.674), no Pantanal (6.052 e 15.973) e na Amazônia (66.749 e 71.499), totalizando, segundo dados do INPE, 123.325 focos em 2019 e 129.146 até 20 de setembro de 2020, correspondendo a um aumento de 5.821, destruindo grande parte da biodiversidade nestes biomas, ameaçando povos originários e tradicionais. Tudo isso se constitui num processo de verdadeiro desmonte das leis e sistemas de proteção do meio ambiente brasileiro.
6 - Em meio a toda essa devastação – cujas consequências chegam aos países vizinhos – também o bom senso é agredido tanto pelo o negacionismo explícito e reincidente por parte de nossas lideranças governamentais, quanto pela acusação de que povos e grupos seriam os responsáveis por algumas das queimadas. Esta criminalização, feita perante o mundo, camufla, na fumaça das fake-news, o esforço desses povos por sobrevivência, além de trazer o caos da desinformação.
7 - Não basta, porém, apenas constatar com tristeza a destruição ambiental e o desrespeito ao ser humano. Por isso, a CNBB convoca a sociedade brasileira a se unir ainda mais em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil, reforçando a voz dos que desejam um país mais justo e solidário, empenhados na proteção da Casa Comum, partindo dos mais vulneráveis. A efetiva superação dessa caótica situação só se dará por meio de forte fiscalização, investigação e responsabilização dos culpados, obrigação de reflorestamento, recuperação integral da natureza devastada e reorganização da estrutura econômica.
8 - Em meio a nossas diferenças, permaneçamos firmes na esperança e na união, solidificados na certeza de que a vida, em especial a vida humana, é o valor maior que nos cumpre preservar.
Brasília, DF, 23 de setembro
de 2020



