quarta-feira, 24 de março de 2021

COMISSÃO PARA A LITURGIA OFERECE ORIENTAÇÕES PARA A SEMANA SANTA 2021

 


A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou orientações e sugestões para a Semana Santa deste ano de 2021. O documento oferece indicações frente às exigências sanitárias no contexto da pandemia da Covid-19, as quais interferem “de maneira extraordinária no modo de bem celebrarmos esses sagrados dias”.

“Novamente esta Semana Maior, a Semana Santa, será celebrada no contexto da pandemia da COVID – 19, que desde o ano passado nos obrigou a elaborar e adotar normas e práticas de segurança sanitárias que buscassem garantir a defesa e a conservação da vida de nossos fiéis, pelo cuidado com a não disseminação do vírus em nossas celebrações litúrgicas”, afirma o bispo de Paranaguá (PR) e presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, dom Edmar Peron.

A decisão em dar as orientações surgiu na reunião virtual da Comissão no último dia 10 de março. Na ocasião, os membros consideraram importante oferecer aos bispos, “primeiros responsáveis pela vida litúrgica de suas Igrejas Particulares”, as indicações que levam em consideração as orientações litúrgicas divulgadas em maio do ano passado pela própria comissão, bem como pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em fevereiro de 2020.

Orientações

Para o Domingo de Ramos, as principais orientações indicam que sejam evitadas procissões; que a celebração seja feita com a segunda fórmula prevista pelo Missal Romano, dentro das igrejas; e que os fiéis sejam exortados a levar para a missa os seus próprios ramos.

A Missa do Crisma poderá ser celebrada, a juízo do bispo diocesano, na medida do possível, com uma representação de “pastores, ministros e fiéis”, na quinta-feira santa pela manhã ou em outro dia, preferencialmente ainda dentro do Tempo Pascal.

Para a Missa da Ceia do Senhor, a Comissão para a Liturgia orienta que seja omitido o Rito do Lava-pés, bem como a transladação do Santíssimo Sacramento, que deve ser conservado no tabernáculo.

O documento também oferece a mesma oração do ano passado para a intenção particular que pode ser inserida na Oração Universal durante a Celebração da Sexta-feira Santa. Para a Adoração da Santa Cruz, “seja utilizada a genuflexão simples ou outro gesto apropriado, evitando a utilização do beijo ou qualquer outro contato físico”.

As indicações completas podem ser conferidas no documento divulgado pela Comissão para a Liturgia. Baixe aqui. 

“Concebidas para tempos normais, as normas e diretrizes contidas nos livros litúrgicos não são inteiramente aplicáveis em tempos excepcionais de crise como estes. Portanto, o Bispo, como moderador da vida litúrgica na sua Igreja, é chamado a tomar decisões prudentes para que as celebrações litúrgicas se desenvolvam frutuosamente para o Povo de Deus e para o bem das almas que lhe são confiadas, no respeito da salvaguarda da saúde e das prescrições das autoridades responsáveis pelo bem comum”

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB recorda a encíclica Fratelli Tutti e deseja que a celebração do Mistério da Páscoa “reafirme aquela esperança ousada que sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna’. Caminhemos na esperança!” (Fratelli Tutti, n. 55).

 


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Campanha da Fraternidade 2021: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”


 

Abertura da V Campanha da Fraternidade Ecumênica



ABERTURA CFE: DOM JOEL PEDE PARA QUE A CELEBREMOS COM O CORAÇÃO ABERTO, AFASTANDO O QUE DIVIDE E BUSCANDO SEMPRE A UNIDADE

 


A abertura simbólica e virtual da quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), uma realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), aconteceu nesta Quarta-feira de Cinzas, 17 de fevereiro.

O lançamento virtual foi uma escolha das entidades promotoras da Campanha como forma de prevenção da Covid-19.  Como constava na programação, às 10h houve a divulgação de um vídeo, por meio das redes sociais da CNBB, com pronunciamentos de representantes das Igrejas que compõem o Conic. Também houve a apresentação da mensagem do Papa Francisco sobre a CFE e a quaresma.

No vídeo, dom Joel Portella Amado (secretário-geral da CNBB) acolheu e saudou a todos e, especialmente, a memória dos mais de duzentos e trinta mil irmãos e irmãs que o coronavírus levou de nosso convívio. “A esses e essas, nossa saudade e nosso compromisso por lutarmos até onde for possível para que essa pandemia encontre o seu término e sejamos capazes de construir um mundo eminentemente marcado pela fraternidade”, disse dom Joel.

“É certo que a fraternidade exige presença, contato, convívio. Mas, exige também maturidade suficiente para podermos viver o distanciamento quando, por razões que nos ultrapassam, ele se faz necessário”, disse o bispo.

Dom Joel enfatizou, no vídeo, que esta Campanha da Fraternidade traz consigo um significado que não podemos perder, que não podemos deixar morrer, sufocar, abafar. “Perplexas pela pandemia, as Igrejas que compõem o CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, e algumas Igrejas observadoras uniram-se e identificaram no tema do diálogo a mensagem que nosso tempo necessita”, disse.

Segundo o bispo, é triste ver que nosso tempo vem apresentando a marca das radicalizações, das polarizações, com o desrespeito às pessoas, em especial as mais simples, as mais fragilizadas. “Nosso tempo necessita que radicalizemos a fraternidade e a comunhão, a solidariedade e a partilha”.

O que é o diálogo?

Ainda, em seu depoimento, dom Joel afirmou que não se trata, por certo, de querer que todos pensem do mesmo modo, pois Deus não nos criou clones. “Trata-se, porém, de perceber que a diferença é convite ao encontro, encontro que se faz exatamente através do diálogo”.

É por isso, de acordo com ele, que a Campanha da Fraternidade desse ano, Campanha da Fraternidade Ecumênica, tem como tema não um ou outro aspecto da realidade humana, social, religiosa, econômica ou política.

“Ela une tudo isso e chega aos fundamentos maiores, ou, como costumamos dizer, aos fundamentos últimos do modo como estamos organizando o mundo atualmente. E o mundo não pode ser organizado a partir da separação, da divisão, do sectarismo, das polarizações, da destruição nem muito menos da morte, que é a consequência de tudo isso”.

O secretário-geral da CNBB também afirmou que a fé nos ensina de onde vem a divisão. “Ela nos mostra quem é o divisor. Ao contrário, como nos diz a carta aos Efésios, o Senhor Jesus Cristo uniu, formou um único povo, ainda que as diferenças permaneçam. A Campanha da Fraternidade Ecumênica desse ano nos recorda, a partir da Carta aos Efésios, que Cristo derrubou os muros, ou seja, as razões que o pecado faz surgir para a separação”, disse.

Dom Joel pediu para que não nos esqueçamos de que o tema do diálogo se encontra em linha de continuidade com a Campanha da Fraternidade de 2020. “Ano passado, nós fomos convidados a encontrar caminhos para superar a indiferença e construir relações baseadas no cuidado. E essa construção se dá exatamente por meio do diálogo, da busca em comum, envolvendo partilha de ideias, escuta e discernimento”.

“Por isso, irmãs e irmãos, celebremos mais uma Campanha da Fraternidade, neste ano, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o coração aberto, afastando o que divide e buscando sempre a unidade. Onde a dificuldade se fizer presente, façamos do diálogo nosso caminho de solução. Diante da pandemia do coronavírus, o mundo busca vacinas. Diante dos impasses da vida, onde as radicalizações e polarizações se manifestam, vacinemo-nos com o diálogo. Esse o Bom Deus não deixa faltar não”.

Após a exibição do vídeo, jornalistas credenciados puderam participar de uma entrevista coletiva com representantes das igrejas por meio da plataforma Zoom.

A CFE

Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículo 14.

Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs. A CFE 2021 quer convidar os cristãos e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Tudo isso através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo.

Gesto concreto

A Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos nas comunidades de todo o Brasil. Os recursos são destinados aos Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade, os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da campanha. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) distribuiu a quantia de R$3.814.139,81, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Conheça alguns projetos apoiados pelo FNS.

Histórico

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) tem sido realizada, em média, a cada cinco anos. A iniciativa congrega diversas denominações cristãs, sempre de forma ecumênica, valorizando as riquezas em comum entre as igrejas. Desde 2000, abordou os seguintes temas:

2000 – Tema “Dignidade humana e paz” e lema “Novo milênio sem exclusões”;

2005 – Tema “Solidariedade e paz” e lema “Felizes os que promovem a paz”;

2010 – Tema “Economia e Vida” e lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”;

2016 – Tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” (tratou do meio ambiente e saneamento básico) e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

FONTE: CNBB

 

Campanha da Fraternidade 2021

 


O Papa na mensagem para a Quaresma: cuidar de quem sofre por causa da Covid-19

 


O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”.

Foi divulgada, nesta sexta-feira (12/02), a a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano  sobre o tema “Vamos subir a Jerusalém. Quaresma: tempo para renovar fé, esperança e caridade”.

O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”. Francisco recorda que “na noite de Páscoa, renovaremos as promessas do nosso Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e graça do Espírito Santo. Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”.

Quem jejua faz-se pobre com os pobres 

“O jejum, a oração e a esmola, tal como são apresentados por Jesus na sua pregação, são as condições para a nossa conversão e sua expressão”, ressalta o Papa na mensagem.

De acordo com Francisco, o “jejum, vivido como experiência de privação, leva as pessoas que o praticam com simplicidade de coração a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n'Ele encontram plena realização. Ao fazer experiência duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre com os pobres e «acumula» a riqueza do amor recebido e partilhado. Jejuar significa libertar a nossa existência de tudo o que a atravanca, inclusive da saturação de informações, verdadeiras ou falsas, e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso coração Àquele que vem a nós pobre de tudo, mas «cheio de graça e de verdade»: o Filho de Deus Salvador”.

Dizer palavras de incentivo

"No contexto de preocupação em que vivemos atualmente onde tudo parece frágil e incerto, falar de esperança poderia parecer uma provocação. O tempo da Quaresma é feito para ter esperança, para voltar a dirigir o nosso olhar para a paciência de Deus, que continua cuidando de sua Criação, não obstante nós a maltratamos com frequência."

O Pontífice convida no tempo da Quaresma, a estarmos “mais atentos em «dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam». Às vezes, para dar esperança, basta ser «uma pessoa amável, que deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no meio de tanta indiferença».”

“No recolhimento e oração silenciosa, a esperança nos é dada como inspiração e luz interior, que ilumina desafios e opções da nossa missão; por isso mesmo, é fundamental recolher-se para rezar e encontrar, no segredo, o Pai da ternura”, ressalta o Papa.

Tempo para crer, esperar e amar

“A caridade se alegra ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado. A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos gerando o vínculo da partilha e da comunhão. «A partir do “amor social”, é possível avançar para uma civilização do amor a que todos nos podemos sentir chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo novo, porque não é um sentimento estéril, mas o modo melhor de alcançar vias eficazes de desenvolvimento para todos».”

Segundo Francisco, “viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, ofereçamos, junto com a nossa obra de caridade, uma palavra de confiança e façamos sentir ao outro que Deus o ama como um filho. «Só com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade»”.

“Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração misericordioso do Pai”, conclui o Papa.

FONTE: Vatican News