terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

"Para a validade dos sacramentos, as fórmulas e a matéria não podem ser modificadas"

Na Festa do Batismo do Senhor, Papa Francisco batiza algumas crianças na Capela Sistina.
Imagem: Vatican News

Diante da perpetuação dos abusos litúrgicos, com a Nota “Gestis verbisque” o Dicastério para a Doutrina da Fé reitera que as palavras e os elementos estabelecidos no rito essencial de cada sacramento não podem ser alterados, porque neste caso o sacramento não existe.

Vatican News

Intitula-se “Gestis verbisque” a Nota do Dicastério para a Doutrina da Fé publicada neste sábado, 3 de fevereiro. Um texto discutido e aprovado pelos cardeais e bispos membros na recente Plenária do Dicastério e, portanto, aprovado pelo Papa Francisco, com o qual se reitera que as fórmulas e os elementos materiais estabelecidos no rito essencial do sacramento não podem ser alterados por vontade própria em nome da criatividade. Assim fazendo, de fato, o próprio sacramento não é válido e, portanto, nunca existiu. 

A apresentação de Fernández 

Na apresentação do documento, o cardeal Victor Fernández, prefeito do Dicastério, explica a sua gênese, isto é, "o multiplicar-se de situações em que se era obrigado a constatar a invalidade dos sacramentos celebrados" com modificações que "tinham depois levado à necessidade de rastrear as pessoas envolvidas para repetir o rito do batismo ou da crisma e um número significativo de fiéis expressou corretamente a sua preocupação".

São citadas como exemplo as alterações na fórmula do batismo, por exemplo: "Eu te batizo em nome do Criador..." e "Em nome do pai e da mãe... nós te batizamos". Circunstâncias que preocuparam também alguns sacerdotes, que "tendo sido batizados com fórmulas deste tipo, descobriram dolorosamente a invalidade da sua ordenação e dos sacramentos celebrados até então".

O cardeal explica que "enquanto em outros âmbitos da ação pastoral da Igreja se dispõe de amplo espaço para a criatividade", no âmbito da celebração dos sacramentos isso "transforma-se antes em uma “vontade manipuladora”".

Prioridade ao agir de Deus 

"Com eventos e palavras intimamente interligadas – lê-se na Nota doutrinária – Deus revela e realiza o seu plano de salvação para cada homem e mulher". Infelizmente "deve-se constatar que a celebração litúrgica, em particular a dos sacramentos, nem sempre se realiza em plena fidelidade aos ritos prescritos pela Igreja". A Igreja "tem o dever de assegurar a prioridade do agir de Deus e de salvaguardar a unidade do Corpo de Cristo naquelas ações que não têm igual porque são sagradas "por excelência" com uma eficácia garantida pela ação sacerdotal de Cristo". A Igreja é além disso "consciente de que administrar a graça de Deus não significa apropriar-se dela, mas tornar-se instrumento do Espírito no transmitir o dom de Cristo pascal. Ela sabe, em particular, que a sua potestas em relação aos sacramentos para diante da sua substância” e que “nos gestos sacramentais ela deve salvaguardar os gestos salvíficos que Jesus lhe confiou”.

Matéria e forma 

A Nota explica, portanto, que "a matéria do sacramento consiste na ação humana por meio da qual Cristo age. Nela, às vezes, está presente um elemento material (água, pão, vinho, óleo), outras vezes um gesto particularmente eloquente (sinal da cruz, imposição de mãos, imersão, infusão, consentimento, unção)”.

Quanto à forma do sacramento, ela "é constituída pela palavra, que confere um significado transcendente à matéria, transfigurando o significado ordinário do elemento material e o sentido puramente humano da ação realizada. Tal palavra inspira-se sempre, em vários graus, na Sagrada Escritura, alicerça suas raízes na viva Tradição eclesial e foi definida com autoridade pelo Magistério da Igreja”. Portanto, matéria e forma "nunca dependeram e não podem depender da vontade de um único indivíduo ou de uma única comunidade".

Não se pode alterar 

O documento reitera que "para todos os sacramentos, em cada caso, sempre foi exigida a observância da matéria e da forma para a validade da celebração, com a consciência de que modificações arbitrárias de uma e/ou de outra – cuja gravidade e força que invalidam são verificadas de tempos em tempos comprometem a efetiva concessão da graça sacramental, com evidente dano aos fiéis”. O que se lê nos livros litúrgicos promulgados deve ser fielmente observado sem “acrescentar, retirar ou alterar nada”.

Acesse aqui a nota: GESTIS VERBISQUE

Com informações e fotos: VATICAN NEWS

Acesse também: CNBB


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

O Papa: abençoar as pessoas e não a união, a bênção não exige perfeição moral

Participantes da Plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé

Durante o encontro com os participantes da plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé o Santo Padre, dentre outras questões, enfatizou dois pontos sobre a Declaração Fiducia supplicans “mostrar concretamente a proximidade do Senhor e da Igreja” e que “não se abençoa a união, mas simplesmente as pessoas que juntas a solicitaram”. 

"A missão do Dicastério para a Doutrina da Fé é ajudar o Romano Pontífice e os Bispos no anúncio do Evangelho em todo o mundo, promovendo e tutelando a integridade da doutrina católica sobre a fé e a moral, como a recebe do depósito da fé e resulta de um entendimento cada vez mais profundo do mesmo face às novas questões” foi o que disse o Papa Francisco, citando a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, na manhã desta sexta-feira, 26 de janeiro, para os participantes da plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé.

Seção Doutrinal e Seção Disciplinar

Para que o Dicastério pudesse cumprir com a sua missão o Santo Padre recordou as mudanças feitas com o motu próprio Fidem Servare de 2022, com o qual “foram criadas duas Seções distintas dentro do Dicastério: a Seção Doutrinal e a Seção Disciplinar”. O Papa enfatizou “a importância da presença de profissionais competentes na Seção Disciplinar, para garantir a atenção e o rigor na aplicação da legislação canônica vigente, particularmente no tratamento de casos de abuso de menores por parte de clérigos, e para promover iniciativas de formação canônica para Ordinários e profissionais do direito” e que também insistiu “na urgência de dar mais espaço e atenção ao âmbito próprio da Seção Doutrinal, onde não faltam teólogos formados e pessoal qualificado, também para o trabalho no Ofício Matrimonial e nos Arquivos.” Papa Francisco afirmou que o Dicastério “se vê comprometido com a compreensão da fé em face das mudanças que caracterizam nosso tempo.” 

Sacramentos, dignidade e fé

O Papa compartilhou com algumas reflexões com os participantes da plenária em torno de três palavras: sacramentos dignidade e fé:

Sacramentos: “nestes dias, vocês refletiram sobre o tema da validade dos Sacramentos. A vida da Igreja é nutrida e cresce graças a eles. Por essa razão, é necessário um cuidado especial dos ministros ao administrá-los e ao revelar aos fiéis os tesouros de graça que eles comunicam. Por meio dos sacramentos, os fiéis se tornam capazes de profecia e testemunho. E o nosso tempo tem uma necessidade particularmente urgente de profetas de vida nova e de testemunhas da caridade: amemos e façamos amar, portanto, a beleza e o poder salvífico dos Sacramentos!” 

Dignidade: “como cristãos, não devemos nos cansar de insistir no ‘primado da pessoa humana e a defesa da sua dignidade, independentemente das circunstâncias’. Sei que vocês estāo trabalhando em um documento sobre esse assunto. Espero que ele possa nos ajudar, como Igreja, a estar sempre próximos ‘de todos aqueles que, sem proclamações, na vida concreta de cada dia, lutam e pagam pessoalmente para defender os direitos daqueles que não contam’ e garantir que, ‘perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras’.” 

Fé: “(...) não podemos esconder o fato de que, em vastas áreas do planeta, a fé - como disse Bento XVI - "não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negada." É hora, portanto, de refletir novamente e com maior paixão sobre alguns temas: a proclamação e a comunicação da fé no mundo de hoje, especialmente para as gerações mais jovens; a conversão missionária das estruturas eclesiais e dos agentes pastorais; as novas culturas urbanas, com sua carga de desafios, mas também de questões de significado sem precedentes; finalmente e acima de tudo, a centralidade do querigma na vida e na missão da Igreja.”

A fé em Cristo Jesus

Francisco disse que “o que para nós é essencial, mais belo, mais atraente e, ao mesmo tempo mais necessário, é a fé em Cristo Jesus. Todos juntos, se Deus quiser, nós a renovaremos solenemente durante o próximo Jubileu e cada um de nós é chamado a proclamá-la a todos os homens e mulheres da Terra. Essa é a tarefa fundamental da Igreja, à qual dei voz precisamente na Evangelii gaudium.”

Uma ajuda no caminho de fé

Dando continuidade ao seu discurso o Papa fez uma menção a recente Declaração Fiducia supplicans: “a intenção das "bênçãos pastorais e espontâneas" é mostrar concretamente a proximidade do Senhor e da Igreja a todos aqueles que, encontrando-se em diferentes situações, pedem ajuda para continuar - às vezes para começar - um caminho de fé. Gostaria de enfatizar brevemente duas coisas: a primeira é que essas bênçãos, fora de qualquer contexto e forma litúrgica, não exigem perfeição moral para serem recebidas; a segunda é que, quando um casal se aproxima espontaneamente para pedi-la, não se abençoa a união, mas simplesmente as pessoas que juntas a solicitaram. Não a união, mas as pessoas, naturalmente levando em conta o contexto, as sensibilidades, dos lugares onde vocês vivem e as maneiras mais adequadas de fazê-lo.”

Ao concluir o discurso Francisco agradeceu a todos e os incentivou “incentivo a seguir em frente com a ajuda do Senhor.”

Padre Pedro André, SDB – Vatican News



Fonte: Vatican News


quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Assembleia Ampliada do CONSER é concluída com manhã de oração e partilha

O último dia começou com a Missa com Laudes, que foi presidida por Dom Emanuel Messias de Oliveira, bispo de Caratinga (MG), e concelebrada por Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba (MG) e Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R, arcebispo de Pouso Alegre (MG). Dom Hugo María Van Steekelenburg, O.F.M., bispo emérito de Almenara (MG), esteve presente na Casa de Retiros São José, para acompanhar a programação desta quinta-feira.

Em seguida, os participantes tiveram outro momento de partilha no plenário para a exposição de uma síntese final, elaborada a partir do que foi discutido pelos grupos. Com isso, foi possível identificar ações que já existem e precisam ser potencializadas em nível regional e diocesano, como a formação, as instâncias de comunhão e o processo sinodal.

Também foi identificado as dificuldades que comprometem a caminhada, sendo como principal a dificuldade em escutar. Tornando essencial a melhoraria da capacidade de acolher, acompanhar, discernir e integrar.

A assembleia foi concluída com um momento orante conduzido por Dom José Carlos de Souza Campos, que agradeceu a presença de todos. “Que em paz na proteção de Deus sigamos nossos caminhos, após esses dias de muito trabalho”, finalizou.








Nova coordenação dos coordenadores de Pastoral

Foi informado, durante a última sessão de trabalho, que houve eleição dos padres que assumirão a coordenação dos coordenadores de Pastoral das dioceses. Os eleitos foram:



Coordenador: Pe. Márcio Rodrigo Mota – Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano (MG)










Vice coordenador: Pe. Rogério de Jesus – Diocese de Janaúba (MG)









Secretário: Pe. José Geraldo de Oliveira – Arquidiocese de Mariana (MG)

 



Fotos: Assessoria de comunicação da CNBB Leste 2

Fonte: CNBB Regional Leste 2

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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Reflexão sobre a espiritualidade da ação pastoral marca dia de programação

Na manhã desta quarta-feira, 29 de novembro, as atividades do dia foram iniciadas com a Missa com Laudes, que foi presidida pelo bispo de Teófilo Otoni (MG), Dom Messias dos Reis Silveira, ladeado por Pe. João Veloso Arantes, clero da diocese de Luz (MG), e Pe. Nereu Pacífico dos Reis, clero da arquidiocese de Diamantina (MG).

Dando continuidade as sessões de trabalho, os nove grupos tiveram a oportunidade de apresentar seus apontamentos em plenário. A partir disso, o Pe. Geraldo Luiz de Mori fez sugestões para que seja possível colocar as ideias em prática durante a caminhada da Igreja em Minas Gerais no próximo ano.

A parte da tarde está sendo dedicada ao Retiro Espiritual conduzido pela Ir. Zuleica, com o tema “Espiritualidade da ação pastoral”. A iniciativa foi elaborada para que os participantes se reconectem com sua espiritualidade e recarreguem as energias. “Que seja um momento para reavivar nossa adesão a Jesus, recordar a nossa missão e colocar nosso dom a serviço da a Igreja”, relatou Ir. Zuleica Silvano.

O horário da noite foi disponibilizado para sessões privativas, caso algum grupo quisesse se reunir e conversar sobre temáticas especificas.






Fotos: Assessoria de comunicação da CNBB Leste 2

Fonte: CNBB Regional Leste 2



 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Síntese das Dioceses e repercussão do Sínodo são destaque no primeiro dia de trabalho








A Missa com Laudes abriu a manhã de trabalhos desta terça-feira (28). A celebração foi presidida por Dom José Carlos de Souza Campos, presidente e arcebispo de Montes Claros (MG); Dom Airton José dos Santos, vice-presidente e arcebispo de Mariana (MG) e Dom Joel Maria dos Santos, secretário e bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG).

Na homilia, Dom José Carlos acolheu aos presentes e pediu orações pelo bom êxito de mais uma assembleia. O arcebispo refletiu sobre o regional, que compreende todo o estado Minas Gerais, e sobre o amor de Deus, a partilha do pão e a conivência fraterna. “Nesses dias em que estamos reunidos teremos a oportunidade de ver, escutar e caminhar juntos, tendo Jesus como centro e razão de toda evangelização”, afirmou.

Após esse momento, os 98 participantes se encaminharam para o café da manhã e depois ao auditório para iniciar a primeira sessão de trabalho. No plenário, o assessor Pe. Geraldo Luiz de Mori apresentou uma análise de conjuntura eclesial a partir da síntese do Sínodo que cada diocese fez.

De acordo com o Pe. Geraldo, a etapa da escuta feita nas dioceses suscitou boas expectativas. “Grande parte dos relatórios constitui um material precioso para a organização da pastoral em nível diocesano, que apontam caminhos a serem seguidos”, informou. “As quase 200 páginas que recolhem são de uma riqueza impressionante e seguem aquilo que o Papa Francisco propõe como dinâmica eclesial da ação pastoral: mais que dominar espaços, é preciso inaugurar processos”, acrescentou.

Houve também interação entre a assembleia e o assessor com mediação da presidência do Regional Leste 2.

Programação segue no decorrer do dia

No período da tarde, o plenário seguirá repercutindo sobre o Sínodo. Dessa vez, com uma mesa redonda com a participação dos convidados: Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, bispo de Camaçari (BA); Sônia Gomes de Oliveira, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB); Cristina dos Anjos, Cáritas Nacional e Pe. Júlio César Evangelista Resende, Pastoral da Educação da CNBB Nacional. A pauta também terá uma apresentação da ACN Brasil – Ajuda à Igreja que sofre, com a presença de Ana Cecília de Oliveira Giorgi Manente, presidente da ACN Brasil e Valter Moises Callegari, diretor Executivo da ACN.

Já a noite, os participantes da assembleia serão divididos em nove grupos com o objetivo de criar mais espaços de interação entre eles. Cada grupo teve um moderador responsável por produzir um material com apontamentos.

Fotos: Assessoria de comunicação da CNBB Leste 2

Fonte: CNBB Regional Leste 2

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domingo, 12 de novembro de 2023

Encontro Regional dos MECE - Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística do Regional de Ituiutaba

Neste Domingo, 12 de novembro está acontecendo nas dependências da Chácara Pedacinho do Céu  (Comunidade Vida Missão) o Encontro Regional dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística do Regional de Ituiutaba compreendendo as Foranias: São José, Cristo Rei e Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Vitórias num total de 22 Paróquias e 721 Ministros.

No Encontro das 08 às 16h com Animação, Orações, Santa Missa presidida por nosso Bispo Diocesano Dom Irineu, Formações e Adoração ao Santíssimo Sacramento.

Agradecemos ao nosso Clero pelo apoio e incentivo e a cada Ministro que tanto colabora na missão pastoral. 











Pe. Wander Pádua Queiroz Filho (Pe. Juninho) 
Assessor Diocesano para os MECE - Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística

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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A "Carta ao Povo de Deus": a sinodalidade é o caminho do terceiro milênio

 

Sala Paulo VI - Sínodo  (Vatican Media)

A Carta da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus foi publicada nesta quarta-feira. A leitura do esboço da Carta foi recebida com aplausos pela assembleia na manhã de terça-feira.

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Vatican News

Publicada nesta quarta-feira a Carta da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus. Eis a integrada da mesma:

Queridas irmãs e irmãos,

ao chegar ao fim dos trabalhos da primeira sessão da XVIª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, queremos, com todos vós, dar graças a Deus pela bela e rica experiência que tivemos. Vivemos este tempo abençoado em profunda comunhão com todos vós. Fomos sustentados pelas vossas orações, trazendo conosco as vossas expectativas, os vossos questionamentos, e também os vossos receios. Já passaram dois anos desde que, a pedido do Papa Francisco, iniciámos um longo processo de escuta e discernimento, aberto a todo o povo de Deus, sem excluir ninguém, para "caminhar juntos", sob a guia do Espírito Santo, discípulos missionários no seguimento de Jesus Cristo.

A sessão que nos reuniu em Roma desde 30 de setembro foi um passo importante neste processo. Em muitos aspectos, foi uma experiência sem precedentes. Pela primeira vez, a convite do Papa Francisco, homens e mulheres foram convidados, em virtude do seu batismo, a sentarem-se à mesma mesa para participarem não só nos debates mas também nas votações desta Assembleia do Sínodo dos Bispos. Juntos, na complementaridade das nossas vocações, carismas e ministérios, escutámos intensamente a Palavra de Deus e a experiência dos outros. Utilizando o método do diálogo no Espírito, partilhámos humildemente as riquezas e as pobrezas das nossas comunidades em todos os continentes, procurando discernir aquilo que o Espírito Santo quer dizer à Igreja hoje. Assim, experimentámos também a importância de promover intercâmbios mútuos entre a tradição latina e as tradições do Oriente cristão. A participação de delegados fraternos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais enriqueceu profundamente os nossos debates.

A nossa assembleia decorreu no contexto de um mundo em crise, cujas feridas e escandalosas desigualdades ressoaram dolorosamente nos nossos corações e conferiram aos nossos trabalhos uma gravidade peculiar, tanto mais que alguns de nós provinham de países onde a guerra deflagra. Rezámos pelas vítimas da violência assassina, sem esquecer todos aqueles que a miséria e a corrupção atiraram para os perigosos caminhos da migração. Comprometemo-nos a ser solidários e empenhados ao lado das mulheres e dos homens que operam em todo lugar do mundo como artesãos da justiça e da paz.

A convite do Santo Padre, demos um importante espaço ao silêncio para favorecer entre nós a escuta respeitosa e o desejo de comunhão no Espírito. Durante a vigília ecuménica de abertura, experimentámos o quanto a sede de unidade cresce na contemplação silenciosa de Cristo crucificado. "A cruz é, de fato, a única cátedra d'Aquele que, dando a sua vida pela salvação do mundo, confiou os seus discípulos ao Pai, para que 'todos sejam um' (Jo 17,21)". Firmemente unidos na esperança que a Sua ressurreição nos dá, confiámos-lhe a nossa Casa comum, onde o clamor da terra e o clamor dos pobres ressoam cada vez com mais urgência: "Laudate Deum!", recordou o Papa Francisco logo no início dos nossos trabalhos.

Dia após dia, sentimos um apelo premente à conversão pastoral e missionária. Com efeito, a vocação da Igreja é anunciar o Evangelho não se centrando em si mesma, mas pondo-se ao serviço do amor infinito com que Deus ama o mundo (cf. Jo 3,16). Quando lhes perguntaram o que esperam da Igreja por ocasião deste Sínodo, alguns sem-abrigo que vivem perto da Praça de S. Pedro responderam: "Amor! ". Este amor deve permanecer sempre o coração ardente da Igreja, o amor trinitário e eucarístico, como recordou o Papa evocando a mensagem de Santa Teresa do Menino Jesus a 15 de outubro, a meio da nossa assembleia. É a "confiança" que nos dá a audácia e a liberdade interior que experimentámos, não hesitando em exprimir livre e humildemente as nossas convergências e as nossas diferenças, os nossos desejos e as nossas interrogações, livre e humildemente.

E agora? Gostaríamos que os meses que nos separam da segunda sessão, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunhão missionária indicado pela palavra "sínodo". Não se trata de uma questão de ideologia, mas de uma experiência enraizada na Tradição Apostólica. Como o Papa reiterou no início deste processo, "Comunhão e missão correm o risco de permanecer termos algo abstratos se não cultivarmos uma práxis eclesial que exprima a concretude da sinodalidade (...), promovendo o envolvimento real de todos e de cada um" (9 de outubro de 2021). Os desafios são muitos, as questões numerosas: o relatório de síntese da primeira sessão esclarecerá os pontos de acordo alcançados, destacará as questões em aberto e indicará a forma de prosseguir os trabalhos.

Para progredir no seu discernimento, a Igreja precisa absolutamente de escutar todos, a começar pelos mais pobres. Isto exige, de sua parte, um caminho de conversão, que é também um caminho de louvor: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos" (Lc 10,21)! Trata-se de escutar aqueles que não têm direito à palavra na sociedade ou que se sentem excluídos, mesmo da Igreja. Escutar as pessoas que são vítimas do racismo em todas as suas formas, especialmente, nalgumas regiões, os povos indígenas cujas culturas foram desprezadas. Acima de tudo, a Igreja do nosso tempo tem o dever de escutar, em espírito de conversão, aqueles que foram vítimas de abusos cometidos por membros do corpo eclesial e de se empenhar concreta e estruturalmente para que isso não volte a acontecer. A Igreja precisa de escutar os leigos, mulheres e homens, todos chamados à santidade em virtude da sua vocação batismal: o testemunho dos catequistas, que em muitas situações são os primeiros anunciadores do Evangelho; a simplicidade e a vivacidade das crianças, o entusiasmo dos jovens, as suas interrogações e as suas chamadas; os sonhos dos idosos, a sua sabedoria e a sua memória.

A Igreja precisa de colocar-se à escuta das famílias, as suas preocupações educativas, o testemunho cristão que oferecem no mundo de hoje. Precisa de acolher as vozes daqueles que desejam se envolver em ministérios leigos ou em órgãos participativos de discernimento e de tomada de decisões. Para progredir no discernimento sinodal, a Igreja tem particular necessidade de recolher ainda mais a palavra e a experiência dos ministros ordenados: os sacerdotes, primeiros colaboradores dos bispos, cujo ministério sacramental é indispensável à vida de todo o corpo; os diáconos, que com o seu ministério significam a solicitude de toda a Igreja ao serviço dos mais vulneráveis. Deve também deixar-se interpelar pela voz profética da vida consagrada, sentinela vigilante dos apelos do Espírito. Precisa ainda de estar atenta a todos aqueles que não partilham a sua fé, mas que procuram a verdade e nos quais o Espírito, que "a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido" (Gaudium et spes 22), também está presente e atua.

"O mundo em que vivemos, e que somos chamados a amar e a servir mesmo nas suas contradições, exige da Igreja o reforço das sinergias em todos os âmbitos da sua missão. É precisamente o caminho da sinodalidade que Deus espera da Igreja do terceiro milénio" (Papa Francisco, 17 de outubro de 2015). Não tenhamos medo de responder a este apelo. A Virgem Maria, a primeira no caminho, nos acompanha em nossa peregrinação. Nas alegrias e nas fadigas, ela mostra-nos o seu Filho que nos convida à confiança. É Ele, Jesus, a nossa única esperança!

Cidade do Vaticano, 25 de outubro de 2023

 

FONTE: VATICAN NEWS



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