sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MÊS DA BÍBLIA 2020: “O MAIOR DESAFIO É FAZER A PALAVRA DE DEUS CHEGAR AO CORAÇÃO”, Diz Dom Joel Portella Amado - Secretário Geral da CNBB

 


“O que isto quer dizer para você?”. Esta era a pergunta que o pai dirigia ao pequeno Joel Portella Amado, quando tinha 9 anos, após voltarem da banca de revista, onde comprava para o filho um fascículo da Bíblia e revistas infantis. Foi desta forma, que o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, teve o seu primeiro contato com as sagradas escrituras. Intimidade conquistada depois ao longo de sua trajetória e formação na Igreja.

Neste 1º de setembro, que marca o início do Mês da Bíblia 2020 na Igreja no Brasil, o secretário-geral da CNBB concedeu entrevista ao portal da CNBB. Na entrevista, dom Joel fala da necessidade de a Bíblia estar disponível, em diferentes formatos, para as pessoas. Contudo, o maior desafio para dom Joel é fazer a palavra de Deus chegar ao coração e à vida.

Dom Joel fala também do esforço que a CNBB está fazendo para que a palavra ocupe a centralidade na vida das comunidades eclesiais missionárias, como defende as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023).

“A Igreja no Brasil já deu alguns passos. Um deles é o Documento nº 108 da CNBB (Ministério e Celebração da Palavra). Outro passo importante é o tema central da 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que deveria ter ocorrido esse ano, mas, por causa da pandemia, foi transferida para 2021. Cujo tema, inspirado nas Diretrizes Gerais, é ‘o Pilar da Palavra’, compreendido em sentido amplo, ou seja, como uma verdadeira animação bíblica da vida e da pastoral”, disse.

Acompanhe, a seguir, a íntegra da entrevista.

a) Qual o esforço que a CNBB está fazendo para que a Palavra ganhe centralidade na vida das comunidades eclesiais missionárias?

A Palavra de Deus já possui centralidade na vida da Igreja. Ela está presente, por exemplo, na liturgia, nas reuniões de grupo, na iniciação à vida cristã e em muitas outras ocasiões. O atual momento pede centralidade maior, ou seja, que não nos contentemos com o que já vem sendo feito, mas que avancemos ainda mais. Esse avanço tem algumas direções bem específicas.

A primeira delas diz respeito a que cada pessoa tenha a Bíblia e, mais ainda, tenha contato com a Bíblia, alimentando-se da Palavra de Deus onde estiver. A Bíblia atualmente pode ser levada até mesmo num celular. Importa que as pessoas passem do celular para o coração e para a vida. Ajuda-nos muito a entender isso o relato de Atos 8,26-39, em que o apóstolo Felipe é enviado ao encontro de um homem que até tinha o texto bíblico nas mãos. Só que lhe faltava, como ele próprio diz a S. Felipe, que não entendia porque não tinha quem lhe explicasse. O relato diz que S. Felipe cumpriu essa missão: abriu a mente e o coração daquele homem.

Em segundo lugar, a Palavra de Deus precisa ser ainda mais o centro da vida das pequenas comunidades eclesiais missionárias. Essas comunidades costumam se reunir semanalmente para rezar e planejar atividades pastorais e de caridade. E é nesse conjunto de atividades que deve ser inserida a Palavra de Deus. A leitura do texto bíblico não pode ser opcional nem apenas um momento breve dentro da reunião do grupo. Precisa ser um dos momentos mais importantes. É preciso ler a Palavra de Deus e trazer para a vida. É preciso fazer isso em grupo e, com isso, aprender a fazer individualmente.

Para tanto, a Igreja no Brasil já deu alguns passos. Um deles é o Documento nº 108 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Ministério e Celebração da Palavra). Outro passo importante é o tema central da 58ª Assembleia Geral da CNBB, que deveria ter ocorrido esse ano, mas, por causa da pandemia, foi transferida para 2021. Cujo tema, inspirado nas Diretrizes Gerais, é “o Pilar da Palavra”, compreendido em sentido amplo, ou seja, como uma verdadeira animação bíblica da vida e da pastoral.

b) Como foi o teu primeiro contato com a Palavra de Deus?

Foi em família com os meus pais. Primeiro foi meu pai. Ele gostava muito de ler e sempre me estimulou a ler. Nos domingos, íamos ao jornaleiro e, além da revista infantil, meu pai comprava para mim um fascículo da bíblia. Naquela época, era comum comprar fascículos a cada semana e ir montando os livros. Ao chegar em casa, meu pai lia comigo um trecho e me pedia para explicar.

Ainda hoje, passado tanto tempo, eu me recordo da pergunta que ele sempre me fazia: o que isso quer dizer para você? Eu me recordo quando li o relato da criação do mundo, com Adão e Eva. Quando meu pai me perguntou o que eu tinha entendido, eu apenas repeti o texto e ele disse, lembro-me bem, “por hoje está bom, mas precisa melhorar”. Eu devia ter uns nove anos. Com a morte de meu pai, minha mãe continuou com o mesmo hábito.

Depois, no grupo de jovens, tínhamos verdadeira sede de conhecer a Bíblia, entender os textos. Também no seminário, tínhamos semanalmente, com o diretor espiritual, o que hoje chamaríamos de leitura orante da bíblia. Foram momentos muito importantes para mim.

c) Qual o grande recado esse ano que quer dar o Mês da Bíblia com o estudo e reflexão do livro de Deuteronômio?

O Deuteronômio é um livro muito rico. Tenho, porém, a impressão de que, como livro, não é muito conhecido. Conhecemos trechos, importantes, sem dúvida, mas trechos. Para mim, o primeiro desafio será, portanto, conhecer a grande proposta do livro que hoje temos em mãos.

Este livro é fruto de uma grande reforma religiosa, num tempo de mudanças, tempo que pode ser comparado ao nosso, respeitadas, é claro, as devidas proporções. Na história desse livro, tem o fato de se ter encontrado, durante a restauração do templo, um rolo da lei, da Torah. Creio que esse fato seja importante por nos desafiar a reencontrar a Palavra de Deus num tempo tão confuso como o nosso e, no contato com ela, reorganizar a vida pessoal e social.

Em segundo lugar, o Deuteronômio é um convite a abrir os ouvidos e o coração (Escuta, ó Israel) e perceber o quanto Deus fez em favor do seu povo. Com esse reconhecimento, a desesperança por causa das dificuldades perde a sua força e a fidelidade a Deus, aos mandamentos da lei de Deus, assume o primeiro lugar nas preocupações. É, pois, um convite à fidelidade que brota do reconhecimento de que Deus nunca nos abandona. Essa é uma mensagem que precisa ser dita e acolhida.

FONTE: CNBB

Oração pela Pátria brasileira em tempos de pandemia


 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Programação do Dia de Oração pela Vida e Pelo Brasil

 

Sábado, às 12h, os sinos das Igrejas brasileiras tocarão em memória das mais de 105 mil vítimas da Covid-19

Neste sábado, a CNBB vai conectar a Igreja no Brasil em um dia inteiro de Oração pela vida e pelo Brasil, das 6h às 21h. Os momentos de oração poderão ser acompanhados pelas redes sociais da CNBB e também pelos canais de TV de inspiração católicas do país. No hot site, lançado pela Conferência, é possível acompanhar a programação que inclui oração da manhã, oração do Ângelus e da noite, missas, celebrações e lives sobre o Pacto pela Vida e Pelo Brasil.

Segundo o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portela Amado, a conferência organizou este dia para unir toda a Igreja no Brasil em torno da oração como forma de contribuir para a superação do quadro tão triste da pandemia e do avanço do coronavírus no Brasil e também para reforçar sua atuação em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil, construído em parceria com um conjunto de organizações da sociedade brasileira.

Pacto pela Vida e pelo Brasil

Para o arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, a entidade assinou o Pacto pela Vida e pelo Brasil impulsionada por sua fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, fonte inesgotável da luz da verdade, luz indispensável para clarear caminhos e rumos novos que a sociedade brasileira precisa, com urgência, para construir um novo tempo.

Segundo ele, a missão evangelizadora da Igreja, no rico e interpelante horizonte de sua Doutrina Social, não se exime na tarefa de, em cooperação com segmentos da sociedade civil, no que lhe é próprio e devido, ajudar a superar injustiças e discriminações para com os pobres e vulneráveis, defesa dos direitos e promoção da justiça, apoio à democracia e contribuição na conquista do Bem comum. “A Igreja assim o faz, estando no coração do mundo solidária, na força do testemunho do Reino de Deus, a caminho”, afirmou.

Dom Joel explica que o “Pacto pela Vida e e Pelo Brasil” não se trata apenas de um documento a mais em meio a tantos, mas um processo, um conjunto de atitudes que não podem ser adiadas”. Em razão disto, o Conselho Permanente, órgão deliberativo mais importante da CNBB, abaixo apenas da Assembleia Geral da Conferência, aprovou por unanimidade que se faça uma consulta ampla a todos os bispos e, por meio desses, às demais instâncias da ação evangelizadora no Brasil, de modo que, através da colaboração de todos, em clima de fraternidade e comunhão, se possa contribuir para a superação de um quadro tão triste como o atual.

Com o dia de oração e reflexão, informa o secretário-geral da CNBB, inicia-se um processo que deve durar enquanto durar a pandemia. O ideal, destaca dom Joel, seria não precisarmos fazer isso. “Se é necessário fazer, nós o faremos, dialogando continuamente com as demais entidades que assinaram o Pacto e com todas as outras que desejarem unir forças”, disse.

O que é o Pacto pela Vida e pelo Brasil?

O Pacto foi assinado em 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, por seis entidades representativas de diversos setores da sociedade brasileira. O documento foi lançado num período em que o Brasil se deparava com o agravamento da pandemia. O Pacto começou a ser elaborado cerca de um mês antes, por meio de reuniões entre representantes das entidades signatárias, todas bastante preocupadas com o quadro que se agravava no país. A CNBB, seguindo a trajetória de seis décadas de compromisso evangélico com a realidade nacional, fez parte, desde o primeiro momento, das reflexões e da formulação do texto.

Saiba mais sobre o Pacto pela Vida e Pelo Brasilaqui

segunda-feira, 27 de abril de 2020

CARTA DO PAPA FRANCISCO A TODOS OS FIÉIS PARA O MÊS DE MAIO DE 2020


Queridos irmãos e irmãs!

Já está próximo o Mês de Maio, no qual o povo de Deus manifesta de forma particularmente intensa o seu amor e devoção à Virgem Maria. Neste mês, é tradição rezar o Terço em casa, com a família; dimensão esta – a doméstica –, que as restrições da pandemia nos «forçaram» a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual.

Por isso, pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação.

Além disso, ofereço-vos os textos de duas orações a Nossa Senhora, que podereis rezar no fim do Terço; eu mesmo as rezarei no Mês de Maio, unido espiritualmente convosco. Junto-as a esta Carta, para que assim fiquem à disposição de todos.

Queridos irmãos e irmãs, a contemplação do rosto de Cristo, juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova. Eu rezarei por vós, especialmente pelos que mais sofrem, e vós, por favor, rezai por mim. Agradeço-vos e de coração vos abençoo.

Roma, São João de Latrão, na Festa de São Marcos Evangelista, 25 de abril de 2020.

Francisco

________________

Oração a Maria

Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.
Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amém.

À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

___________________

Oração a Maria

«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».

Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.

Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.

Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.

Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.
Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.

Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com clarividência e espírito de solidariedade.

Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no futuro.

Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.

Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão onipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.

Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém.

.